O governo dos Estados Unidos vai conceder visto ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e à família dele e permitir a entrada deles no país. A informação foi confirmada nesta terça-feira (27) por uma autoridade do Departamento de Estado à CNN e à TV Globo.
“O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, disse a autoridade, que não foi identificada, à CNN. O governo Trump não informou se o senador já está em território americano.
Mais cedo, a agência Reuters e o jornal The New York Times, cada um citando duas fontes anônimas, informaram que Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. No domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tinha proibido o senador de sair do país.
Aliados dizem que ele chegou
Segundo um aliado ouvido pelo portal UOL, Flávio chegou aos Estados Unidos na tarde desta terça. O mesmo aliado disse que o senador deve dar uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (28). A chegada não foi confirmada oficialmente.
De acordo com a CNN Brasil, a defesa e aliados do senador disseram que não sabiam onde ele estava. O último contato com os advogados foi às 16h30 de segunda-feira (26). Ainda segundo a emissora, integrantes do PL criticaram a situação e pressionaram Flávio a divulgar um vídeo ou uma nota.
Como ele teria saído
Ainda não se sabe por onde Flávio deixou o país. A Polícia Federal (PF) diz que não há registro da passagem dele por nenhum ponto regular de controle migratório brasileiro.
Na madrugada desta terça, o portal argentino Infobae publicou que o senador teria cruzado a fronteira com a identidade, em Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. De lá, ele seguiria para os Estados Unidos num jato Gulfstream G400, da empresa argentina Baires Fly.
Pelo site de rastreamento FlightRadar24, o avião chegou de Buenos Aires a Puerto Iguazú às 23h45 de segunda e não tinha decolado desde então. Não há confirmação de que Flávio tenha estado na aeronave ou trocado de avião.
O governo argentino diz que não há registro de entrada do senador no país. O porta-voz da Presidência argentina também negou que ele tenha pedido asilo.
Passaportes não foram entregues
Moraes deu a ordem na noite de domingo, poucas horas depois de Flávio perder a eleição presidencial para Lula (PT). O senador tinha até as 11h desta terça para entregar os passaportes à PF, mas não entregou.
Depois do prazo, a PF cancelou os passaportes comum e diplomático do senador e alertou as autoridades argentinas sobre o risco de fuga.
A ordem saiu num inquérito em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro, num esquema que envolveria empresas de Tomaz e casas de apostas. Os dois confirmam que são amigos, mas negam ser sócios e negam qualquer irregularidade.
Flávio também é investigado pela PF num inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a trajetória do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que Flávio disse antes
Na segunda-feira, em vídeo, Flávio negou que pretendesse deixar o país. “Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou. Ele disse ainda que entregaria os passaportes e que se defenderia da decisão, que chamou de “aberração”.
Segundo o senador, a medida se baseou numa fala do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos. Na sexta-feira (23), Eduardo disse num podcast americano que Flávio deveria sair do Brasil se perdesse a eleição. Eduardo foi condenado no Brasil e tem mandado de prisão aberto no país.
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