O deputado federal Mário Frias (PL-SP) está proibido de deixar o Brasil. A decisão é do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e faz parte da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (10). O passaporte de Frias também foi bloqueado e ele não pode mais ter contato com os outros investigados no caso.
A operação apura se dinheiro público foi desviado para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de Frias, a produtora Karina Gama, dona da empresa Go Up Entertainment, também é investigada. Ao todo, são 29 pessoas sob investigação.
O que a polícia investiga
A PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Segundo a corporação, um grupo de pessoas — ligadas tanto ao governo quanto a empresas privadas — teria repassado dinheiro público a empresas que não comprovaram ter prestado os serviços contratados. Frias é roteirista e produtor-executivo do filme.
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou indícios de problemas em R$ 2 milhões em emendas parlamentares — verbas que deputados podem indicar para receber investimento público — reservadas por Frias em 2024. A polícia também apreendeu sete armas que estavam com Frias, guardadas em locais diferentes dos endereços registrados para elas.
Quem pagou pelo filme
Mais de 90% do dinheiro usado para produzir “Dark Horse” veio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025 por causa do caso do Banco Master. A Justiça investiga, em outro processo, se um repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro para o filme — pedido, segundo apurado, pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — foi feito de forma irregular. O senador não é alvo da operação desta quinta-feira.
O que diz a defesa
A defesa de Mário Frias nega que tenha havido qualquer esquema para repassar dinheiro de forma irregular e diz que a acusação não tem provas. O próprio deputado negou publicamente as irregularidades. Karina Gama também já havia dito, no início do mês, que a produção do filme segue as regras.
O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, chamou a operação de “perseguição política” e cobrou uma resposta do Congresso Nacional.



