Um casal foi preso nesta quinta-feira (10), suspeito de participar da execução de Rafael Mendes da Rocha, morto a tiros dentro de um Jeep Compass em 19 de julho, na Vila Torres, em Curitiba. Segundo a Polícia Civil do Paraná, os dois seguiram Rafael e a namorada desde a saída de um evento da Copa do Mundo até o local do crime. A investigação apontou que o homicídio foi planejado e teve relação com o tráfico de drogas. Ao todo, três pessoas foram presas nesta quinta-feira, em Curitiba e Ponta Grossa.
Rafael estava com a namorada quando deixou o evento no Estádio Dorival de Britto, no bairro Água Verde. Os dois seguiam de carro quando passaram a ser acompanhados por uma Mercedes cinza. Segundo a investigação, dentro do veículo estavam um homem de 26 anos e uma mulher de 23.
O casal teria acompanhado os passos de Rafael ainda durante o evento e depois seguido o Jeep até a região da Vila Torres. No trajeto, outro veículo também teria sido usado pelos envolvidos. Era um VW Voyage prata, apontado pela polícia como o carro utilizado na interceptação e na execução.

Na noite do crime, a história contada pela namorada de Rafael era outra. Ela afirmou que os dois haviam entrado por engano na região da Vila Torres e que teriam sido atacados por traficantes. Rafael acabou baleado e morreu dentro do carro. A investigação, no entanto, apontou que o casal não chegou à região por acaso. Para a polícia, Rafael já estava sendo acompanhado antes mesmo de deixar o evento.
O casal que aparece nas câmeras
As imagens de câmeras de segurança foram importantes para reconstruir os passos dos suspeitos. Segundo a PCPR, o homem de 26 anos dirigia a Mercedes usada no acompanhamento de Rafael. Com ele estava a mulher de 23 anos. Os dois aparecem nas imagens durante o evento e também foram identificados em uma loja de conveniência depois do homicídio.
A polícia considera que a presença dos dois em diferentes pontos ajudou a mostrar que não se tratava de um encontro casual na região onde Rafael foi morto. O terceiro preso é um homem de 33 anos. Segundo a investigação, ele teria sido responsável por viabilizar a logística do Voyage prata usado para interceptar o Jeep.
A versão de que o casal entrou por engano
Nas primeiras horas depois do homicídio, a principal informação era de que Rafael e a namorada teriam errado o caminho ao deixar o evento e acabado dentro da Vila Torres. A versão foi registrada nas primeiras notícias sobre o caso. Naquele momento, a polícia ainda tentava descobrir se o Jeep havia sido seguido desde a saída do evento ou se os criminosos haviam encontrado o casal por acaso na região.
A investigação seguiu outra direção. Ao cruzar imagens, informações sobre os veículos e outros dados, a PCPR identificou uma movimentação que começava ainda no evento e terminava no local do homicídio.
A ligação com o tráfico
Ainda nas primeiras horas da investigação, a polícia já havia levantado a possibilidade de relação entre o homicídio e o tráfico de drogas. Rafael já tinha registros anteriores por tráfico de drogas e porte ilegal de arma. Na época, essas informações também foram analisadas para tentar entender a motivação do crime.
Agora, segundo a PCPR, a investigação apontou que o homicídio foi planejado e teve relação com o tráfico de drogas. A nova conclusão muda a leitura do crime. Rafael não teria sido morto simplesmente porque passou pela região errada. Para a polícia, ele foi monitorado e perseguido antes de ser interceptado.
Três pessoas são presas
As prisões ocorreram nas primeiras horas desta quinta-feira (10), durante uma operação realizada pela PCPR em Curitiba e Ponta Grossa. Foram cumpridos três mandados de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão.
Durante as buscas, os policiais encontraram duas armas de fogo com um dos suspeitos. Os três presos foram levados ao sistema penitenciário. A polícia agora vai analisar os materiais apreendidos durante a operação para buscar novas informações sobre a participação de cada um dos envolvidos e sobre a motivação do homicídio.
A sequência reconstruída pela PCPR aponta que Rafael saiu do evento acompanhado da namorada, passou a ser monitorado e teve o carro seguido por outros veículos. A Mercedes teria acompanhado o Jeep durante o trajeto, enquanto o Voyage prata teria sido usado na interceptação e na execução.
Depois dos disparos, imagens de câmeras também ajudaram a identificar a movimentação dos suspeitos. O conjunto dessas informações levou a polícia a tratar o homicídio como um crime planejado e relacionado ao tráfico de drogas.



