O julgamento de Ronaldo Massuia, acusado pela morte do fotógrafo André Muniz Fritoli, foi interrompido após a defesa informar que o réu estaria tentando cometer suicídio enquanto permanecia em uma cela, aguardando o encerramento do depoimento da última testemunha de acusação.
Diante da situação, a juíza que presidia a sessão decidiu dissolver o Conselho de Sentença e interromper o julgamento.
Segundo nota divulgada pela assistência da acusação, a forma como a informação foi comunicada inicialmente provocou pânico entre as pessoas que acompanhavam o júri. Os presentes chegaram a acreditar que havia algum tipo de risco à segurança no local.
Apesar da interrupção, todas as provas apresentadas durante o julgamento permanecem preservadas. Ronaldo Massuia continuará preso, enquanto um inquérito policial foi instaurado para apurar as circunstâncias do episódio ocorrido durante a sessão.
A assistência da acusação afirmou que espera uma investigação rigorosa sobre o caso e a remarcação do novo julgamento o mais breve possível. A acusação também manifestou expectativa pela condenação do réu.
Relembre o caso
O caso aconteceu em 2022, em Curitiba, quando um ataque a tiros em um posto de combustíveis terminou com a morte do fotógrafo André Muniz Fritoli, de 32 anos. Outras sete pessoas também foram alvo de tentativas de homicídio durante a ocorrência.
Quatro anos após o crime, o ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva começou a ser julgado pelo Tribunal do Júri de Curitiba. O julgamento teve início nesta quarta-feira (9) e foi programado para ocorrer ao longo de três dias.
Massuia responde pela acusação de homicídio triplamente qualificado pela morte de André e por sete tentativas de homicídio, também com três qualificadoras. A denúncia aponta motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Ao todo, o processo reúne oito vítimas.
Durante o julgamento, a defesa argumenta que o acusado sofre de alcoolismo e transtorno de estresse pós-traumático e sustenta que ele não teria plena capacidade de compreender os próprios atos no momento do crime.
A assistência de acusação, por outro lado, defende que o réu seja condenado pelos crimes descritos na denúncia.
Nota da defesa de Massuia
A defesa de Ronaldo Massuia Silva vem a público esclarecer o episódio ocorrido na tarde desta quinta-feira, durante o segundo dia de julgamento. Por volta das 15h50, enquanto a sessão estava em andamento, o advogado Heitor Luiz Bender percebeu que Ronaldo Massuia Silva, recolhido em uma cela nas dependências do local do julgamento, estava atentando contra a própria vida, sem acompanhamento ou monitoramento estatal naquele momento. Diante da urgência, o advogado ingressou imediatamente no plenário, pedindo socorro aos policiais e alertando que Ronaldo estava tentando tirar a própria vida. Logo após, os policiais, acompanhados de outros agentes e do assistente técnico da defesa, dirigiram-se à cela e prestaram socorro a Ronaldo, interrompendo a situação de risco. Ronaldo recebeu atendimento médico e, após uma intercorrência clínica, foi devidamente assistido e no presente momento, passa bem. A defesa esclarece que se tratou de uma situação real e extremamente grave, em pleno setembro amarelo, percebida pelo advogado, cuja reação imediata foi pedir socorro e buscar preservar a vida de seu constituinte. Nesse sentido, esta banca defensiva repudia veementemente qualquer insinuação de “encenação” ou “teatro de suicídio”, supostamente realizado com o objetivo de suspender a sessão de julgamento. Houve uma situação concreta de risco à vida, diante da qual a defesa agiu imediatamente para preservar uma vida. As circunstâncias relacionadas à custódia e à segurança de Ronaldo poderão ser devidamente apuradas pelas autoridades competentes. O que não se admite é que um episódio dessa gravidade seja transformado em especulação ou utilizado para atacar os profissionais que atuaram para impedir uma tragédia. A defesa permanece serena e reafirma sua confiança na Justiça, seguindo no exercício de sua função com responsabilidade, firmeza e respeito ao devido processo legal.
Nota da acusação
Caso Fotógrafo André Muniz Fritoli – Nota à imprensa
Pela abrupta interrupção do julgamento causada pela defesa, com a notícia de que o acusado Ronaldo Massuia estaria tentando o suicídio, enquanto aguardava em uma cela o término da inquirição da última testemunha de acusação, a juíza Presidente da Sessão dissolveu o Conselho de Sentença.
A notícia, da forma como foi anunciada, instaurou o pânico geral nos presentes, pois, em um primeiro momento, todos entenderam que estariam correndo risco, fato que, inclusive, rememorou o próprio massacre ocorrido no posto de gasolina no ano de 2022.
Todas as provas produzidas no julgamento estão preservadas, o acusado seguirá preso e um inquérito policial foi instaurado para investigar o ocorrido.
A assistência da acusação espera que o fato seja rigorosamente apurado e que o novo júri seja remarcado com a brevidade possível, na expectativa da justa e necessária condenação do réu.
É a nota.
Curitiba, 10 de setembro de 2026.
Advogados:
Elias Mattar Assad
Thaise Mattar Assad
Rogério Nicolau
Edson Luiz Facchi Jr.
Eduardo Antonio Perine
Maria Teresa dos Santos Vicari



