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Série especial do Populari mostra Curitiba pelos números: força econômica e desafios de uma capital em transformação

Curitiba tem a sexta maior economia entre as capitais brasileiras, com PIB de R$ 120,065 bilhões

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O portal Populari inaugura nesta quinta-feira (10) uma série especial de cinco reportagens que vai mostrar Curitiba a partir dos números. O levantamento reúne dados oficiais para revelar a força da capital, os avanços já alcançados e os desafios que precisam ser enfrentados para que a cidade continue crescendo e se prepare para o futuro.

Na primeira reportagem, um panorama geral ajuda a entender como Curitiba funciona hoje. A capital tem a sexta maior economia entre as capitais brasileiras, com um Produto Interno Bruto de R$ 120,065 bilhões em 2023, e também apresenta indicadores importantes em áreas como educação, saneamento, acesso à internet e segurança alimentar. Ao mesmo tempo, os números mostram diferenças de renda, condições que ainda podem melhorar e desafios que fazem parte do próximo capítulo da cidade.

Curitiba está entre as maiores economias do país

Curitiba responde por cerca de 1,1% da riqueza produzida no Brasil e aparece na sétima posição entre todos os municípios brasileiros em tamanho de economia. Entre as capitais, ocupa a sexta colocação. O resultado também coloca Curitiba como a maior economia da Região Sul.

Entre 2021 e 2023, a economia curitibana cresceu 22,5% em valores nominais. No mesmo período, o crescimento nominal da economia brasileira foi de 21,1%. As estimativas preliminares do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social, o Ipardes, apontam que a economia da capital pode chegar a R$ 140,389 bilhões.

Curitiba tem a sexta maior economia entre as capitais brasileiras, segundo dados de 2023

O tamanho da economia ajuda a dimensionar o papel de Curitiba no Paraná e no país. A cidade concentra atividades de comércio, serviços, indústria e tecnologia e mantém uma posição relevante entre os principais centros econômicos brasileiros.

Em uma comparação com outras grandes cidades da América do Sul, o Produto Interno Bruto por habitante de Curitiba é estimado em US$ 13.550. O valor fica acima dos US$ 11.280 de Bogotá, na Colômbia, e dos US$ 10.220 de Quito, no Equador. Montevidéu, no Uruguai, aparece com US$ 30.510, enquanto a região metropolitana de Santiago, no Chile, registra US$ 17.690.

Mas a renda é diferente na capital e na região

O tamanho da economia, porém, é um indicador diferente da renda recebida pelas famílias. É nesse ponto que os números da Pesquisa por Amostra de Domicílios do Paraná, a PAD-PR 2025, ajudam a entender outra dimensão da capital. A pesquisa, produzida pelo Ipardes, aponta renda média mensal do trabalho de R$ 4.757,63 em Curitiba. Na Região Geográfica Imediata de Curitiba, que, trocando em miúdos, é a Região Metropolitana de Curitiba, o valor é de R$ 2.973,65.

A diferença também aparece quando se considera a renda domiciliar por pessoa. Na capital, o valor médio é de R$ 4.010,06. Na RMC, chega a R$ 2.108,32.

Os números mostram que o desempenho econômico de Curitiba convive com diferenças importantes dentro do próprio espaço regional. Reduzir essas distâncias é um dos desafios para os próximos anos, principalmente na geração de oportunidades e na ampliação do acesso da população à renda.

Educação é um dos pontos fortes

Em Curitiba, 38,7% da população com 25 anos ou mais concluiu o ensino superior. A taxa de alfabetização entre pessoas com mais de 15 anos chega a 97,67%. A escolaridade é um dos fatores que ajudam a explicar o perfil do mercado de trabalho e também representa uma oportunidade para a cidade ampliar a qualificação profissional e a geração de empregos de maior valor agregado.

A maior parte das casas tem água, esgoto e internet

A rede geral de abastecimento de água chega a 96,19% dos domicílios. O acesso à rede de esgoto alcança 94,40%, enquanto a energia elétrica está presente em 98,62% das residências. O acesso à internet de alta velocidade chega a 96,34% dos domicílios. A geração própria de energia solar ainda representa uma parcela pequena, presente em 1,01% dos domicílios. O dado também aponta para uma área com possibilidade de crescimento, principalmente diante da busca por fontes de energia mais limpas e da necessidade de ampliar alternativas para consumidores e empresas.

Como os curitibanos vivem e trabalham

Na condição dos imóveis, 63,28% dos moradores de Curitiba vivem em imóveis próprios, já pagos ou financiados. Outros 30,47% vivem em imóveis alugados. No mercado de trabalho, 44,22% das pessoas ocupadas estão no setor privado formal. Os trabalhadores por conta própria e empreendedores individuais representam 32,86%. Servidores públicos correspondem a 13,46%, enquanto 5,79% são empregadores.

Os números mostram diferentes formas de trabalho e geração de renda na capital, desde o emprego formal até o empreendedorismo. Também ajudam a entender o cenário de moradia de uma cidade que concentra empregos e serviços e continua atraindo pessoas em busca de oportunidades.

A alimentação ainda é um desafio

Os indicadores de alimentação mostram outro aspecto importante da realidade da capital. Segundo os dados da PAD-PR 2025, 82,58% dos domicílios de Curitiba estão em situação de segurança alimentar plena. Isso significa que, nesses lares, existe acesso regular e suficiente aos alimentos.

Por outro lado, 13,93% apresentam algum grau de insegurança alimentar leve. Nesses casos, há preocupação ou incerteza sobre a possibilidade de manter a alimentação adequada, além de situações em que a qualidade ou a variedade dos alimentos é reduzida por limitações financeiras.

Os casos mais graves, classificados como insegurança alimentar moderada ou grave, representam cerca de 3,5%. Em números absolutos, a estimativa é de aproximadamente 24 mil famílias, envolvendo cerca de 55 mil pessoas, submetidas a uma situação de restrição quantitativa de alimentos ou fome.

É um dos desafios que aparecem mesmo em uma cidade com uma economia entre as maiores do país. O dado mostra que crescimento econômico e qualidade de vida precisam caminhar juntos, com políticas e oportunidades capazes de fazer com que os resultados da economia cheguem a mais famílias.

O que os números mostram sobre o futuro de Curitiba

Os números reunidos pelo Populari mostram uma Curitiba que ocupa uma posição importante na economia brasileira, tem altos índices de escolaridade, infraestrutura consolidada e ampla cobertura de serviços básicos.

Também mostram pontos que ainda precisam avançar. As diferenças de renda entre Curitiba e os municípios da região, o acesso à moradia, a geração de renda, a expansão da energia solar e, principalmente, a redução da insegurança alimentar estão entre os desafios que aparecem nesse retrato.

A proposta da série especial é justamente olhar para esses números sem separar a cidade entre problemas e qualidades. Curitiba já construiu resultados importantes, mas os próprios indicadores ajudam a apontar onde existem oportunidades para avançar.

Nos próximos dias, o Populari vai aprofundar esses dados e mostrar diferentes aspectos da capital, seus resultados, suas diferenças e os caminhos que podem ajudar a preparar Curitiba para os próximos anos.