Ir para o conteúdo
Paraná quarta-feira 12°C Nublado
Newsletter
Assinar a newsletter
Paraná

Justiça torna réus 12 pessoas por queda de avião da Voepass que matou 62

A Justiça Federal aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra 12 pessoas investigadas pela queda do avião da Voepass, que matou 62 pessoas em agosto de 2024. Entre os réus estão o dono da companhia e profissionais das áreas de operação e manutenção. O voo havia partido de Cascavel, no Paraná.

Compartilhar: WhatsApp Threads

A Justiça Federal aceitou a denúncia contra 12 pessoas investigadas pela queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Ministério Público Federal (MPF), quase dois anos e três meses depois da tragédia.

Entre os réus estão o dono da companhia aérea, José Luiz Felício Filho, diretores, gerentes e funcionários que atuavam em áreas responsáveis pela operação e manutenção das aeronaves.

O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando o avião que realizava o voo 2283 caiu em uma área residencial de Vinhedo. A aeronave havia decolado de Cascavel, no Oeste do Paraná, com destino ao Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Todos os 62 ocupantes morreram.

MPF aponta problemas na manutenção e gestão da companhia

De acordo com o Ministério Público Federal, a investigação identificou possíveis responsabilidades que vão além dos fatores diretamente envolvidos na queda do avião.

A acusação aponta que práticas adotadas pela administração da Voepass teriam colocado a redução de custos e os resultados financeiros acima dos cuidados necessários com a manutenção e a segurança das aeronaves.

Os 12 denunciados vão responder por crimes relacionados à segurança do transporte aéreo e à ocorrência de sinistro aéreo.

Na legislação, o termo sinistro se refere a situações graves envolvendo meios de transporte, como a queda ou destruição de uma aeronave. O Código Penal prevê pena de quatro a 12 anos de prisão para o crime de causar sinistro em transporte aéreo, sem considerar eventuais agravantes.

A decisão da Justiça permite o início da ação penal, mas não representa uma condenação. As responsabilidades individuais ainda serão analisadas ao longo do processo.

Quem são os 12 réus?

A denúncia inclui profissionais que ocupavam cargos de direção, chefia e funções operacionais na Voepass na época do acidente.

Confira os nomes e as funções informadas pelo MPF:

  • José Luiz Felício Filho — dono da Voepass;
  • Marcos Hiroyuki Sato — despachante responsável pelo voo 2283;
  • Alex de Souza Leandro — mecânico;
  • William Schmidt Agatz — gerente do Centro de Controle Operacional;
  • Juliano Flores Pacheco — gerente do Centro de Controle de Manutenção;
  • Raphael Limongi de Figueiredo — chefe do Centro de Controle Operacional;
  • Marcel Sarquis Moura — diretor de Operações;
  • Tiago Passucci Morani — inspetor-chefe e gerente de Engenharia;
  • Carlos Alberto Costa — diretor de Manutenção;
  • Eric Consoli — diretor técnico;
  • Rafael Gimenez Rodrigues — piloto-chefe;
  • David da Costa Faria Neto — diretor de Segurança Operacional.

Segundo o MPF, dois funcionários tiveram participação direta nos acontecimentos que levaram à queda. Os demais são investigados por suas possíveis responsabilidades nas decisões e práticas adotadas pela empresa.

Outros quatro investigados fizeram acordo com o MPF

Além dos 12 réus, outras quatro pessoas haviam sido indiciadas pela Polícia Federal, mas não foram incluídas na denúncia apresentada à Justiça.

Elas firmaram acordos de não persecução penal com o Ministério Público Federal.

Esse tipo de acordo é previsto na legislação brasileira e permite que determinados investigados cumpram condições estabelecidas pelo Ministério Público, sem a abertura de um processo criminal, desde que sejam atendidos os requisitos legais.

Entre as exigências está a confissão formal da infração investigada.

O que dizem a Voepass e as defesas?

Em nota, a Voepass informou que continuará colaborando com a Justiça e com as autoridades responsáveis pelo caso.

A defesa de José Luiz Felício Filho declarou que vai se manifestar nos autos no momento adequado, garantindo o exercício do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.

Com o recebimento da denúncia, os 12 acusados passam a responder formalmente à ação penal. O processo deverá avaliar as provas reunidas durante a investigação e determinar se houve responsabilidade criminal dos envolvidos na tragédia.