A retirada de ostras para consumo humano foi suspensa temporariamente em áreas de cultivo de Guaratuba, no Litoral do Paraná, após exames identificarem níveis de toxinas acima do limite considerado seguro. A substância pode provocar intoxicação alimentar, com sintomas como diarreia, náuseas, vômitos e dores abdominais.
A medida foi determinada pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e divulgada nesta terça-feira (27). A decisão consta em uma nota técnica publicada no dia 23 de outubro.
Segundo o órgão, as análises laboratoriais identificaram concentrações elevadas de ficotoxinas do grupo do ácido okadaico, substâncias produzidas por microalgas e que podem se acumular em frutos do mar.
A suspensão vale para as áreas de cultivo oficialmente interditadas e será mantida até que novos exames confirmem que os produtos estão seguros para o consumo.
Qual é o risco de consumir ostras contaminadas?
A toxina identificada nas análises é produzida por microalgas do gênero Dinophysis, que podem se multiplicar na água e contaminar moluscos bivalves.
Esses animais filtram a água para se alimentar e, durante esse processo, podem acumular substâncias tóxicas em seus tecidos.
Além das ostras, outros moluscos podem ser afetados, como mexilhões, vieiras e berbigões.
O consumo de produtos contaminados pode provocar sintomas gastrointestinais, entre eles:
- Diarreia;
- Náuseas;
- Vômitos;
- Dores abdominais.
A presença dessas toxinas não pode ser identificada apenas pela aparência ou pelo cheiro dos moluscos. O cozimento também não é uma forma confiável de eliminar o risco.
Por isso, a recomendação é evitar o consumo de moluscos provenientes das áreas interditadas, especialmente aqueles vendidos sem comprovação de origem e fiscalização sanitária.
Quando a retirada de ostras será liberada em Guaratuba?
Ainda não há uma data definida para a retomada da atividade nas áreas afetadas.
Segundo a Adapar, novas coletas serão realizadas para verificar se a concentração das toxinas voltou aos níveis permitidos.
O chefe da Divisão de Sanidade dos Animais Aquáticos, o médico-veterinário Cláudio Cesar Sobezak, explicou que o órgão continuará acompanhando a situação.
“Vamos aguardar os próximos resultados de coletas nas próximas 72 horas. Continuaremos monitorando a cada período até que os níveis voltem à normalidade e a população possa consumir esses moluscos de forma mais segura”, afirmou.
A liberação dependerá dos resultados laboratoriais e do cumprimento dos procedimentos sanitários previstos na legislação.
A Adapar esclarece que a restrição vale para as áreas de produção identificadas oficialmente nos atos de interdição em Guaratuba.
Isso não significa que toda a produção de ostras e outros moluscos do Litoral paranaense esteja suspensa.
As demais áreas de cultivo continuam sendo monitoradas, e a autorização para retirada depende dos resultados das análises sanitárias de cada local.
O órgão também informou que comunicou os serviços de saúde municipais e estaduais sobre a situação.
Adapar reforça monitoramento no Litoral
Desde 2024, a Adapar realiza o monitoramento sanitário de moluscos bivalves no Litoral do Paraná, por meio de coletas periódicas de amostras de água e dos próprios animais.
O trabalho integra o Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros (MoluBiS), que busca identificar riscos de contaminação e proteger a saúde dos consumidores.
Nas áreas afetadas de Guaratuba, a fiscalização será intensificada até que os exames indiquem condições adequadas para a retomada da atividade.
A Adapar informou que divulgará novas atualizações sobre os resultados e a eventual liberação da retirada de ostras.



