O número de inquilinos com aluguel em atraso voltou a crescer no Paraná e atingiu o maior patamar de 2026. Em setembro, a taxa de inadimplência chegou a 3,22%, acima dos 3,11% registrados em agosto. O estado também ficou acima da média nacional, de 2,93%.
Os dados fazem parte do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), divulgado pela Superlógica, plataforma de soluções para os mercados imobiliário e condominial. O levantamento considera informações anonimizadas de mais de um milhão de locatários.
Este é o segundo mês consecutivo de aumento no Paraná. Em julho, o indicador estava em 3,04%, subiu para 3,11% em agosto e chegou a 3,22% em setembro.
Apesar da sequência de altas, o resultado ainda é inferior ao registrado em setembro de 2025, quando a inadimplência estava em 3,37%. O índice atual é o maior desde novembro do ano passado, quando atingiu 3,40%.
Aluguéis mais baratos concentram maiores atrasos
No levantamento nacional, os imóveis com aluguel de até R$ 1 mil apresentam as maiores taxas de inadimplência.
Entre os imóveis residenciais nessa faixa de preço, o índice chegou a 5,99% em setembro. Nos imóveis comerciais, a taxa foi ainda maior, de 7,41%.
Mesmo com uma pequena redução em relação a agosto, os dois grupos continuam apresentando índices bem superiores à média nacional.
Para Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, o resultado mostra que a dificuldade para manter o aluguel em dia não atinge todos os inquilinos da mesma forma.
“Mesmo com a queda no mês, as faixas de aluguel mais baixo continuam concentrando taxas de inadimplência significativamente superiores à média nacional”, explica.
Já entre os imóveis residenciais com aluguel de R$ 2 mil a R$ 3 mil, a inadimplência foi de 1,72%, a menor entre as faixas analisadas.
Casas e imóveis comerciais têm mais inadimplência no Sul
Na Região Sul, que reúne Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a taxa geral de inadimplência passou de 2,70% em agosto para 2,79% em setembro.
Os imóveis comerciais lideram os atrasos, com índice de 3,74%. Em seguida aparecem as casas, com 3,39%, e os apartamentos, com 2,06%.
Apesar do aumento, o Sul permanece abaixo da média brasileira de 2,93%.
No comparativo entre as regiões, o Nordeste apresentou a maior taxa de inadimplência, de 5,08%, seguido pelo Norte, com 4,45%.
Já o Centro-Oeste registrou o menor índice, de 2,62%, enquanto o Sudeste ficou em 2,76%.
Juros elevados pressionam orçamento dos inquilinos
Segundo a Superlógica, o avanço dos atrasos no Paraná merece atenção, principalmente diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias.
“O Paraná registra uma sequência recente de alta que merece acompanhamento, embora a inadimplência ainda permaneça abaixo do nível observado no mesmo período do ano passado”, afirma Manoel Gonçalves.
O especialista aponta os juros elevados e a pressão sobre o orçamento familiar como fatores que podem dificultar o pagamento dos aluguéis.
Em todo o Brasil, a inadimplência dos imóveis comerciais ficou em 4,11% em setembro. Nas casas, o índice foi de 3,23%, enquanto os apartamentos registraram 2,12%.
O levantamento é produzido mensalmente pela Superlógica e utiliza dados de mais de um milhão de locatários para acompanhar a evolução dos atrasos no mercado de aluguel.



