Em meio à rotina de medicamentos, exames e tratamentos, alguns pacientes do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, recebem um cuidado um pouco diferente: um corte de cabelo gratuito.
O responsável é o enfermeiro Jonatas de Sousa, conhecido pelos corredores do hospital como o “enfermeiro barbeiro”. Além de atuar na assistência aos pacientes, ele utiliza o conhecimento como barbeiro para atender, principalmente, pessoas que passam longos períodos internadas.
A iniciativa já resultou em mais de 50 cortes gratuitos e vai além da mudança no visual. Para Jonatas, sentar para cortar o cabelo pode ser também uma oportunidade para conversar, criar vínculos e ajudar pacientes a recuperarem a autoestima durante a internação.

Uma ideia que começou durante a pandemia
A história começou em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Na época, Jonatas trabalhava em outro hospital e acompanhava um paciente jovem que estava isolado e emocionalmente abalado. Longe da família e enfrentando a doença, o rapaz demonstrava desânimo.
Jonatas decidiu fazer algo diferente. Sem equipamentos profissionais, utilizou uma tesoura comum para cortar o cabelo do paciente. Depois do gesto, percebeu uma mudança no comportamento e no ânimo do jovem.
Anos mais tarde, os dois voltaram a se encontrar pelas redes sociais. O antigo paciente contou ao enfermeiro que aquele momento, aparentemente simples, havia sido importante durante sua recuperação. A experiência ficou marcada para Jonatas.
O “enfermeiro barbeiro” chegou ao Cajuru
Quando começou a trabalhar no Hospital Universitário Cajuru, há cerca de nove meses, Jonatas decidiu retomar a ideia. O que começou como um cuidado extra para alguns pacientes acabou ganhando espaço dentro do hospital.
A fama do “enfermeiro barbeiro” se espalhou entre pacientes e funcionários. Com o tempo, os próprios colegas decidiram apoiar a iniciativa e presentearam Jonatas com um kit profissional de barbearia.
Os cortes são oferecidos gratuitamente aos pacientes que desejam participar, e os materiais utilizados passam por higienização individual após cada atendimento.
Mais do que mudar o visual
Para Jonatas, o corte de cabelo não está relacionado apenas à aparência. Durante o atendimento, o paciente tem a oportunidade de conversar. Em alguns casos, aquele momento se transforma em uma porta de entrada para que a pessoa se sinta mais à vontade para falar sobre o que está vivendo.
Um dos episódios que marcou o enfermeiro envolveu um paciente que enfrentava um quadro grave de depressão e aguardava encaminhamento para um tratamento especializado.
Enquanto cortava o cabelo do homem, Jonatas conversou com ele. Aos poucos, o paciente passou a criar uma relação de confiança maior com o enfermeiro e com outros profissionais.
Na alta, o paciente deixou uma mensagem que Jonatas guarda até hoje, agradecendo ao profissional e à equipe pelo apoio recebido durante o período de internação.
Jonatas pretende continuar com a iniciativa e tem uma meta: chegar a 100 cortes realizados em 2026. O enfermeiro entende a atividade como mais uma ferramenta de humanização dentro do atendimento hospitalar.
A iniciativa também foi reconhecida pelo Projeto Servir, programa do próprio Hospital Universitário Cajuru voltado a ações de humanização realizadas pelos profissionais.



