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Saúde

SUS terá ‘touca inglesa’ para tratar pacientes oncológicos no PR

Quatro hospitais do Paraná vão receber equipamentos de resfriamento capilar para pacientes em quimioterapia pelo SUS. A tecnologia, conhecida como touca inglesa, pode ajudar a reduzir a queda de cabelo durante o tratamento contra o câncer. O projeto-piloto prevê investimento de R$ 1,35 milhão e até 3.840 atendimentos por ano.

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Quatro hospitais do Paraná vão passar a oferecer, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), uma tecnologia que pode ajudar pacientes com câncer a preservar os cabelos durante a quimioterapia. O equipamento, conhecido como touca inglesa, utiliza baixas temperaturas para reduzir a queda dos fios, um dos efeitos colaterais mais conhecidos do tratamento oncológico.

A novidade faz parte do projeto-piloto Paraná Cuida Delas, lançado pelo Governo do Estado nesta quarta-feira (28), durante um evento no Palácio Iguaçu, em Curitiba.

Com investimento de R$ 1,35 milhão, serão adquiridos quatro kits de crioterapia capilar, que terão capacidade conjunta para realizar até 3.840 atendimentos por ano.

Os equipamentos serão destinados a unidades de saúde de Paranaguá, Pato Branco, Irati e Guarapuava.

Como funciona a touca?

A touca inglesa funciona por meio do resfriamento do couro cabeludo durante o tratamento contra o câncer.

A temperatura pode chegar a -4°C, provocando a contração dos vasos sanguíneos da região. Com a redução do fluxo de sangue, uma quantidade menor dos medicamentos quimioterápicos chega aos folículos capilares, estruturas responsáveis pelo crescimento dos fios.

O procedimento pode diminuir a queda de cabelo provocada por determinados tratamentos.

Segundo o Governo do Paraná, a taxa de preservação dos fios varia de 50% a 90%, dependendo das condições de cada paciente e do tratamento utilizado.

A técnica não é indicada para todos os casos de câncer. Por isso, a utilização dependerá de avaliação da equipe médica responsável.

O resfriamento capilar é utilizado principalmente para reduzir a perda de cabelo associada à quimioterapia, não sendo um método estabelecido para prevenir a queda causada pela radioterapia.

Quais hospitais do Paraná vão receber?

Nesta primeira fase, quatro unidades que realizam atendimento oncológico pelo SUS serão contempladas:

  • Paranaguá: Unidade Avançada do Hospital Erasto Gaertner;
  • Pato Branco: Fundação Sudoestina de Combate ao Câncer;
  • Irati: Centro de Saúde Erasto Gaertner;
  • Guarapuava: Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (Câncer Center).

Cada kit contará com um equipamento eletrônico capaz de atender até duas pacientes simultaneamente.

O projeto também prevê o fornecimento de insumos e a manutenção dos aparelhos durante três anos, para evitar que os custos de funcionamento fiquem sob responsabilidade exclusiva dos hospitais.

Hospital de Guarapuava prevê atender até 40 mulheres por mês

No Hospital São Vicente de Paulo, em Guarapuava, a expectativa é oferecer a tecnologia a aproximadamente 30 a 40 pacientes por mês, conforme a indicação clínica.

A unidade atende moradores de 20 municípios da 5ª Regional de Saúde e realiza mais de 600 infusões de quimioterapia mensalmente.

Segundo a coordenadora da Oncologia, Karine Brito, o alto custo dos equipamentos dificultava a implantação do serviço.

“É algo muito esperado, um sonho que, devido ao custo, foi sendo postergado. Agora, graças a essa parceria, vamos conseguir oferecer esse recurso às nossas pacientes”, afirmou.

A profissional destacou que a perda dos cabelos pode afetar o bem-estar emocional das mulheres durante o tratamento.

Investimento de R$ 1,35 milhão terá recursos da Volkswagen

O projeto é coordenado pela Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi).

Os R$ 1,35 milhão serão disponibilizados pela Volkswagen do Brasil, como contrapartida a benefícios fiscais recebidos por meio do programa Paraná Competitivo.

O valor será repassado à Lions, responsável pela execução do projeto e pela aquisição dos equipamentos.

A secretária estadual Mariana Neris afirmou que a proposta busca ampliar o cuidado oferecido às pacientes para além dos procedimentos médicos.

“Muitas vezes, ao enfrentar o câncer de mama, elas passam por um processo doloroso de perda não só da mama, mas também do cabelo durante o tratamento. Estamos trazendo algo que pode contribuir para que elas mantenham os cabelos”, declarou.

Quando as pacientes poderão utilizar a touca pelo SUS?

O Governo do Paraná anunciou a destinação dos recursos e a aquisição dos equipamentos, mas ainda não informou uma data para o início dos atendimentos nas quatro unidades.

A disponibilidade dependerá da instalação dos aparelhos, da organização dos serviços e da avaliação clínica das pacientes.

A iniciativa foi apresentada durante o evento Outubro Além do Rosa, que reuniu servidoras estaduais no Palácio Iguaçu, em uma programação voltada à saúde física e emocional das mulheres.

O projeto começa como experiência-piloto, com previsão de quase quatro mil atendimentos anuais nas unidades participantes.