O Paraná deve registrar 4.300 novos casos de câncer de mama em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número coloca a doença entre os principais tipos de câncer que atingem as mulheres no Estado. No Brasil, a estimativa é de 78.610 novos casos neste ano.
O alerta ganha força com os dados mais recentes sobre o diagnóstico da doença na rede pública. Um levantamento do Observatório de Oncologia, com dados do Ministério da Saúde de 2015 a 2025, mostra que 68,3% das mulheres de 20 a 29 anos diagnosticadas com câncer de mama no SUS receberam o diagnóstico quando a doença já estava nos estágios 3 ou 4. Entre todas as faixas etárias, 51% dos diagnósticos também ocorreram em estágio avançado.
O percentual de diagnósticos avançados diminui conforme aumenta a idade. Entre mulheres de 30 a 39 anos, foi de 62,7%. Na faixa de 40 a 49 anos, chegou a 54,6%. Entre 50 e 69 anos, grupo que está dentro da faixa de rastreamento de rotina, o índice foi de 47,9%.
Câncer de mama é o mais incidente entre mulheres
A estimativa do INCA para 2026 aponta o câncer de mama como o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, sem considerar os tumores de pele não melanoma. São 78.610 novos casos previstos, com risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.
No Paraná, a taxa bruta estimada é de 70,24 casos por 100 mil mulheres. Em Curitiba, o INCA prevê 820 novos casos em 2026, com taxa bruta de 83,13 casos por 100 mil mulheres.
Minas Gerais também aparece entre os Estados com grande número de casos. A estimativa do INCA aponta 8.430 novos diagnósticos de câncer de mama em 2026, com taxa bruta de 77,05 casos por 100 mil mulheres.
Diagnóstico precoce aumenta as opções de tratamento
Para o oncologista Gerson Yoshinari, professor da Afya Faculdade de Medicina de Itajubá, o diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de tratamento e pode reduzir a necessidade de terapias mais agressivas.
“Descobrir cedo faz muita diferença. Quando o câncer de mama é encontrado no início, a chance de cura costuma ser maior e, muitas vezes, conseguimos oferecer tratamentos menos pesados, com menos efeitos indesejados e menor impacto na vida da mulher.”
O médico também orienta que alterações percebidas nas mamas ou nas axilas devem ser avaliadas por um profissional de saúde. Caroços, mudanças no formato da mama, alterações na pele, feridas que não cicatrizam e saída espontânea de líquido pelo mamilo estão entre os sinais que precisam ser investigados.
A presença de uma alteração, porém, não significa necessariamente câncer. O diagnóstico depende de avaliação médica e dos exames indicados para cada caso.
Número de mortes também preocupa
O câncer de mama também está entre as principais causas de morte por câncer entre mulheres no país. Segundo o release, 21.668 mulheres morreram pela doença em 2025, número que representaria o maior valor absoluto da série histórica.
A estimativa do INCA mostra ainda que o risco de incidência é maior nas regiões Sudeste e Sul. Para 2026, a taxa estimada é de 88,29 casos por 100 mil mulheres no Sudeste e de 77,91 no Sul.
A idade, histórico familiar e características genéticas estão entre os fatores que podem aumentar o risco. Há também fatores relacionados ao estilo de vida, como excesso de peso, consumo de álcool, tabagismo e baixa atividade física.
Para Yoshinari, o cuidado com a saúde deve ser mantido mesmo quando não há sintomas.
“Manter uma vida ativa, fazer exercícios, cuidar do peso, ter uma alimentação equilibrada, não fumar e evitar o excesso de bebida alcoólica são atitudes que ajudam a diminuir o risco de câncer de mama e também de várias outras doenças.”



