Aos 22 anos, o curitibano Henrique Brunetti Semaan viveu, em poucos meses, uma mudança que dificilmente estava nos planos para este momento da carreira. Depois de começar a jogar futebol 7 apenas no fim do ano passado, o atleta disputou sua primeira grande competição em 2026 e, pouco tempo depois, recebeu a notícia de que defenderia a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo.
A oportunidade surgiu justamente em Curitiba. Convidado pelo Atlético Paranaense para disputar a Copa do Brasil de Futebol 7, realizada no Jardim Botânico, Henrique ajudou a equipe a chegar à decisão. O time terminou com o vice-campeonato, após perder a final nos pênaltis.

O desempenho individual também chamou atenção. Durante a competição, o curitibano recebeu premiações de melhor jogador em algumas partidas, marcou gols e se destacou defensivamente. O resultado coletivo, aliado às atuações do atleta, acabou abrindo uma porta que ele sequer imaginava que pudesse existir naquele momento.
Convite surpresa
Em entrevista exclusiva ao Portal Populari, Henrique conta que não sabia sequer que a Copa do Mundo seria disputada naquele período. Muito menos imaginava que poderia ser chamado para defender o Brasil. “Pra ser bem sincero, eu não esperava a convocação”, conta.
A notícia chegou de maneira inesperada. No dia em que a lista foi divulgada, o jogador estava na academia e havia deixado o celular carregando. A convocação saiu por volta das 18h30, mas Henrique só pegou o telefone aproximadamente uma hora depois. Quando olhou a tela, encontrou uma sequência de mensagens e ligações de amigos.
Foi assim, entre notificações no celular e a surpresa pela quantidade de mensagens, que o curitibano descobriu que estava entre os convocados para representar o Brasil.
Depois de entender o que estava acontecendo, Henrique ligou para os pais e começou a dividir a notícia com as pessoas mais próximas. Nos dias seguintes, a convocação foi celebrada junto da família e dos amigos.

Da clínica para a quadra
A história ganha um detalhe curioso porque, até pouco tempo atrás, o futebol não ocupava espaço central na rotina de Henrique.
Formado recentemente, em odontologia pela PUCPR, o atleta também trabalha em um consultório e explica que conciliar uma rotina profissional com treinamentos e competições é um dos principais desafios. Como começou a jogar futebol de 7 há pouco tempo, ele não imaginava que chegaria tão rapidamente a uma Seleção.
A convocação, porém, mudou essa perspectiva. “Vir pra Seleção é um passo muito grande”, afirma.
A experiência fez Henrique repensar a relação com o esporte. Segundo ele, a oportunidade aumentou a motivação para investir mais nos treinamentos físicos e tentar colocar o futebol novamente como uma parte mais importante da rotina.
A ideia agora é aproveitar o momento para buscar uma preparação mais próxima da exigida de um atleta de alto rendimento.
Primeiros jogos pela Seleção vieram na Alemanha
E a realização do sonho não ficou apenas na convocação. Henrique já entrou em campo pela Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo de Futebol 7, disputada em Essen, na Alemanha. A competição possui diferenças em relação ao futebol 7 praticado no Brasil: as equipes atuam com seis jogadores em campo, sendo cinco na linha e um goleiro.
O formato também trouxe um período de adaptação para os brasileiros, que precisaram lidar com regras diferentes das encontradas nas competições nacionais.
Mesmo assim, a experiência de estar em uma Copa do Mundo rapidamente mostrou ao curitibano a dimensão do momento que estava vivendo.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu antes de uma das partidas, quando Henrique participou do momento do hino nacional.
“A sensação ali na hora do hino nacional, cantar o hino de chuteira, foi diferente. Arrepiou”, relata.
Para o jogador, estar em território estrangeiro, cercado por atletas que já haviam conquistado títulos mundiais, tornou a experiência ainda mais especial.
“Estar no meio desses caras é uma experiência incrível”, diz.
Brasil chegou até a final
Após a fase de grupos, a Seleção Brasileira chegou até a final, desbancou seleções europeias, Croácia e Ucrânia, além da Albânia para chegar até a grande final, onde perderam o título para os donos da casa, a Alemanha.
Apesar da confiança no elenco brasileiro, o curitibano reconhece que a competição apresentou desafios diferentes. Além das regras, algumas seleções chegam mais acostumadas ao formato internacional e contam com jogadores que já possuem experiência em Mundiais.
Curitiba está presente na camisa brasileira
Mesmo longe de casa, Henrique faz questão de lembrar de onde veio. O jogador cita o Atlético Paranaense, responsável pelo convite que o levou à Copa do Brasil, o Clube Curitibano, equipe que representa atualmente, além da própria cidade de Curitiba como partes importantes da trajetória que o levou à Seleção.
“É legal demais representar Curitiba, representar o Atlético Paranaense, o Curitibano também”, afirma.
A história começou muito antes da convocação. Henrique teve contato com o futsal ainda aos cinco anos e passou pelo Clube Curitibano a partir dos 12. Depois de anos de formação esportiva, a decisão de voltar a investir no futebol acabou levando o curitibano a um cenário que ele próprio não imaginava alcançar tão cedo.
Menos de um ano entre o início e uma Copa do Mundo
A trajetória de Henrique até a Seleção chama atenção justamente pela velocidade. O jogador começou no futebol de 7 no fim de 2025, disputou sua primeira grande competição meses depois e, após uma campanha de destaque na Copa do Brasil, recebeu a convocação para o Mundial.
Agora, enquanto vive a experiência de disputar uma Copa do Mundo, o atleta já pensa no que pode acontecer depois dela. Mais do que uma convocação, a oportunidade pode representar uma mudança de planos. O futebol, que até pouco tempo dividia espaço com a formação profissional e o trabalho, ganhou um novo significado. “Te motiva a continuar com isso”, afirma Henrique.
Enquanto o Brasil segue na disputa pelo título, o curitibano aproveita cada minuto da experiência. E, independentemente do resultado final, a trajetória que começou nos campos de Curitiba já levou Henrique a um dos maiores palcos que poderia imaginar. “Vamos fazer o melhor aqui para trazer o título para o Brasil e para Curitiba.”



