A caixa-preta do helicóptero que caiu com o cantor Rick, da dupla Rick & Renner, não gravou o voo do acidente. O aparelho também tinha um histórico de falhas elétricas. As informações estão no relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), divulgado nesta semana.
O acidente aconteceu em 21 de setembro, em Urubici, na Serra de Santa Catarina. Além de Rick Sollo, de 59 anos, morreram o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Segundo o Cenipa, nenhuma hipótese para a causa do acidente está descartada até agora.
Caixa-preta tinha só áudio antigo
O helicóptero, um Bell 430 de prefixo PP-MGR, tinha um gravador de voz da cabine, a chamada caixa-preta, com capacidade para 30 minutos de gravação. A lei não obriga esse tipo de aeronave a ter o equipamento, mas ele estava instalado desde 2002.
Quando o Cenipa extraiu os dados, porém, encontrou apenas conversas de um serviço de manutenção feito em data desconhecida. O voo do acidente não foi gravado.
Falhas elétricas recorrentes
O relatório aponta que o helicóptero tinha problemas frequentes nos geradores, os equipamentos que produzem toda a energia elétrica da aeronave e que, na maioria dos modelos, também dão a partida no motor.
Segundo o documento:
- Algumas falhas aconteceram depois de voos dentro de nuvens ou na chuva, que expuseram os geradores à umidade.
- Em abril, um dos geradores foi trocado por outro alugado. Depois que o original foi consertado e recolocado, em maio, os dois geradores passaram a falhar, um de cada vez.
- Em pelo menos uma ocasião, um gerador parou de fornecer energia, e só o outro manteve as telas da cabine funcionando.
- Diante disso, um mecânico recomendou que o helicóptero voltasse à oficina para uma nova inspeção. Isso não tinha acontecido até o dia do acidente.
O relatório também cita desligamentos involuntários do piloto automático. Em 30 de março, o helicóptero fez um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, por causa de uma vibração considerada anormal. As manutenções feitas depois não encontraram problema no rotor principal.
O Cenipa ainda vai avaliar se essas falhas tiveram relação com a queda.
Mau tempo na Serra
O helicóptero decolou às 10h49 do aeródromo de Porto Belo, no Litoral catarinense, com destino à Serra. Câmeras de uma casa em Urubici registraram o barulho dos motores parar às 11h32.
A aeronave bateu em árvores na encosta do Morro Convento dos Padres, a cerca de 1.686 metros de altitude, no Parque Nacional de São Joaquim. O Cenipa classificou o caso como voo controlado contra o terreno. É o termo técnico usado quando a aeronave bate no solo sem que os pilotos percebam o risco a tempo, sem ter perdido o controle.
Na hora do acidente, uma frente fria trazia chuva, nuvens baixas e nevoeiro para a região. A previsão para voos em baixa altitude alertava para trovoadas, visibilidade reduzida e montanhas encobertas por nuvens na Serra Geral.
Experiência dos pilotos
O piloto, Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, tinha mais de 11,3 mil horas de voo em helicópteros e era habilitado para voar por instrumentos, quando não há visibilidade.
O copiloto, Leopoldo Barros Teixeira, tinha 137 horas de voo e não era habilitado para voo por instrumentos. Segundo o relatório, ele foi contratado só para aquele dia, para substituir o copiloto que costumava voar na aeronave.
Próximos passos
O relatório preliminar não traz conclusões. “Seu teor ainda pode ser alterado e não vincula obrigatoriamente as conclusões que serão publicadas no Relatório Final de investigação”, diz o Cenipa. A investigação continua, com exames e análises complementares, e não há prazo para o relatório final.
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