Para quem passa o dia no canteiro de obras, voltar para a escola depois do expediente pode parecer uma tarefa difícil. Para driblar esse obstáculo, uma iniciativa da MRV leva salas de aula para dentro dos próprios empreendimentos e permite que trabalhadores retomem os estudos durante o horário de trabalho.
O programa Escola Nota 10, criado em 2011, oferece formação em educação básica e prepara os participantes para o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), que pode garantir a conclusão dos ensinos fundamental e médio.
A iniciativa já implantou 326 escolas em canteiros de obras da empresa em todo o país e alcançou mais de 7 mil pessoas.
No Paraná, atualmente, as aulas são realizadas em três empreendimentos: o Complexo Ânima e o Residencial Cairós, em Curitiba, e o Residencial La Roche, em Londrina.
Trabalhador voltou a estudar e conquistou certificado
Um dos participantes do projeto é Manoel. Ele entrou no Escola Nota 10 em agosto de 2024, depois de interromper os estudos.
Durante a formação, passou a desenvolver atividades de leitura e matemática e começou a se preparar para o Encceja. Em 2025, conseguiu uma primeira conquista: foi aprovado no exame e obteve a certificação do ensino fundamental.
A aprovação abriu uma nova meta. Neste ano, Manoel continua frequentando as aulas e se prepara para fazer novamente o Encceja, desta vez em busca do certificado do ensino médio.
Aulas são realizadas durante o expediente
A proposta do programa é justamente adaptar a formação à rotina de quem trabalha. As aulas acontecem três vezes por semana, dentro dos próprios canteiros.
“Retomar os estudos é mais desafiador para quem precisa conciliar emprego, família e outras responsabilidades. Por isso, entendemos que realizar as aulas durante o expediente poderia facilitar muito esse processo”, explica Silvana Barbara, professora do Escola Nota 10 em Curitiba.
Antes de começar as atividades, cada estudante passa por uma avaliação para identificar seus conhecimentos. O resultado serve de base para a definição das atividades de matemática e leitura.
O desempenho também é acompanhado regularmente. A cada 15 dias, novas avaliações são realizadas para verificar a evolução de cada aluno e ajustar o trabalho pedagógico.
Mais de 4 milhões de adultos não concluíram a educação básica
A iniciativa ocorre em um cenário de grande demanda por retomada dos estudos no estado.
Dados do último Censo Demográfico do IBGE apontam que mais de 4 milhões de paranaenses com 18 anos ou mais não concluíram a educação básica. Cerca de 2,7 milhões não terminaram o ensino fundamental, enquanto aproximadamente 1,3 milhão chegaram a concluir essa etapa, mas não o ensino médio.
Entre aqueles que procuram a Educação de Jovens e Adultos (EJA), o período noturno é uma das principais alternativas para conciliar escola e trabalho. Em 2025, o Paraná tinha 35.827 matrículas estaduais na EJA, sendo 21.376 no turno da noite.
Programa já certificou mais de mil colaboradores
O Escola Nota 10 passou por uma reformulação metodológica em 2022, em parceria com o Alicerce Educação. Desde então, 1.092 colaboradores foram certificados pelo Encceja. A frequência média dos participantes chegou a 76%.
Um levantamento realizado sobre o programa também apontou impactos na relação dos trabalhadores com a empresa. Entre os entrevistados, 83% afirmaram que a iniciativa aumentou a vontade de permanecer na companhia, enquanto 89% disseram ter percebido melhora na própria produtividade.
Para a professora Silvana, o resultado mais importante, porém, está na mudança de percepção dos próprios alunos sobre a capacidade de voltar a estudar.
“Quando o estudante adulto percebe que consegue aprender e avançar, ele recupera a confiança e a autoestima”, afirma.
A proposta é que a certificação seja apenas uma das etapas. Depois de anos longe da escola, trabalhadores como Manoel passam a enxergar a possibilidade de continuar estudando e buscar novas oportunidades a partir da educação.
Conheça aqui o projeto.



