O narcotraficante Marcos Silas Neves de Souza foi enterrado na manhã do último sábado (31), no Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba. O corpo do apontado como chefe do Cartel do Sul, organização criminosa investigada por tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro, foi liberado pela Justiça Federal após uma investigação sobre as circunstâncias da morte dele, ocorrida em 30 de agosto, na Penitenciária Federal de Brasília. O corpo de Silas foi velado e enterrado na presença de amigos e familiares do narcotraficante.
A liberação do corpo ocorreu, após a Justiça encerrar as investigaçoes sobre a morte de Marcos Silas. A defesa de Silas, conduzida pelo advogado Claudio Dalledone Júnior, solicitou uma série de diligências para esclarecer o que aconteceu dentro da unidade prisional.
Entre os pedidos estavam exames, perícias, pareceres médico-legais e uma investigação interna no presídio. Tudo foi acompanhado pelos advogados de Marcos Silas. A apuração concluiu que o detento morreu por suicídio. Uma carta deixada por ele, dirigida a familiares, também integra o conjunto de elementos analisados na investigação.
Defesa pediu perícias e investigação sobre a morte
Marcos Silas foi encontrado desacordado na cela durante a rotina de revista e entrega de alimentação, na manhã de 30 de agosto. A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) informou, na ocasião, que a morte ocorreu por suicídio e que os órgãos competentes haviam sido acionados.
A defesa, no entanto, pediu a realização de diligências para esclarecer as circunstâncias do óbito. Os requerimentos incluíram exames periciais, avaliações médico-forenses e a apuração dos procedimentos adotados pela administração penitenciária.
A investigação reuniu os elementos técnicos e documentais relacionados à morte. Entre eles está uma carta atribuída a Silas e destinada a familiares. Com a conclusão dos procedimentos e a liberação judicial, o corpo foi encaminhado a Curitiba para o sepultamento.
Da ligação com o PCC à liderança do Cartel do Sul
Marcos Silas tinha 42 anos e foi preso em 16 de agosto de 2021, em São Paulo, quando tentava realizar uma cirurgia plástica para alterar a aparência e dificultar a própria identificação. Na ocasião, usava documentos com o nome de Marcos Augusto de Souza.
Antes de assumir a liderança do Cartel do Sul, Silas teve ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Posteriormente, rompeu com a facção e passou a comandar uma organização criminosa própria, com atuação no Paraná e ramificações em outros estados.
Investigações da Polícia Federal apontaram Silas como um dos principais nomes do tráfico internacional de cocaína no país. A organização tinha estrutura para receber, armazenar e distribuir drogas no Brasil, além de organizar o envio de carregamentos ao exterior, principalmente por meio de portos do Paraná e de Santa Catarina.
A apuração também identificou uma estrutura financeira usada para ocultar recursos obtidos com o tráfico. Parte do dinheiro teria sido investida na compra de imóveis de alto padrão, principalmente no litoral catarinense. A Polícia Federal identificou cerca de 260 apartamentos vinculados ao patrimônio atribuído a Silas.
Operação Downfall revelou estrutura de tráfico e lavagem de dinheiro
A Operação Downfall aprofundou as investigações sobre a organização liderada por Marcos Silas. Os levantamentos apontaram uma estrutura criminosa especializada no tráfico interestadual e internacional de drogas, com divisão de tarefas para receber, armazenar e transportar cocaína, além de organizar a exportação dos carregamentos.
Segundo os elementos reunidos na investigação, a droga era enviada ao exterior principalmente pelo modal marítimo. O grupo também teria utilizado diferentes rotas e métodos para esconder os entorpecentes em cargas destinadas a outros países.
A investigação identificou ainda mecanismos de lavagem de dinheiro, com investimentos no setor imobiliário e uso de empresas e terceiros para ocultar a origem dos recursos. A dimensão financeira do esquema e o patrimônio atribuído a Silas colocaram a organização entre os alvos de maior alcance das apurações sobre o tráfico de cocaína no Sul do país.
Operação Spiderweb investigou rota de cocaína pelo Porto de Paranaguá
Outra investigação da Polícia Federal, a Operação Spiderweb, revelou a atuação de uma organização criminosa transnacional especializada no envio de cocaína para a Europa pelo Porto de Paranaguá. Deflagrada em março de 2022, em conjunto com a Operação Retis, a ação cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo.
A investigação identificou uma estrutura com divisão de tarefas para viabilizar a exportação de grandes carregamentos de cocaína. As apurações incluíram procedimentos de entrega controlada realizados em cooperação com autoridades francesas, que acompanharam o recebimento da droga na Europa.
A Spiderweb teve como foco uma organização cuja liderança foi atribuída a Anderson Ferreira Machado. Por isso, não se deve confundir a chefia desse grupo com a liderança do Cartel do Sul atribuída a Marcos Silas. As operações ajudam a dimensionar a estrutura do tráfico internacional que utilizava o Porto de Paranaguá, mas investigaram organizações distintas.
Marcos Silas foi preso em 2021 e permaneceu no sistema penitenciário federal até ser encontrado morto na unidade de Brasília, em agosto de 2026. O sepultamento no último sábado encerrou os procedimentos para a liberação e o traslado do corpo à capital paranaense.



