O cigarro não fica apenas no pulmão. O consumo de produtos derivados do tabaco está relacionado a pelo menos 16 tipos de câncer e custa caro para o Brasil. Um estudo citado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que doenças provocadas pelo tabagismo e a perda de produtividade geram um impacto de R$ 153,5 bilhões por ano no país. O levantamento também estima que cerca de 145 mil mortes poderiam ser evitadas todos os anos sem o consumo de produtos derivados do tabaco.
O alerta ganha força neste Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. E, apesar da redução no número de fumantes nas últimas décadas, o cigarro ainda aparece entre os principais fatores de risco para doenças graves.
Um dos exemplos é o câncer de pulmão. A estimativa mais recente do INCA aponta 35.380 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo 18.730 em homens e 16.650 em mulheres.
Cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estão associados ao consumo de produtos derivados do tabaco. E aqui não entra apenas o cigarro tradicional. Charutos, cachimbos, narguilé e outros produtos também expõem o organismo a substâncias que podem causar doenças.
Mas existe outro problema que ganhou espaço principalmente entre os mais jovens: o cigarro eletrônico.
O cigarro eletrônico também preocupa
Os vapes, como são conhecidos, podem passar a impressão de que são diferentes do cigarro convencional. Só que a presença de nicotina mantém um dos principais problemas: a dependência.
Uma revisão científica reunida pelo próprio INCA encontrou associação entre o uso de cigarros eletrônicos e um risco maior de começar a fumar o cigarro convencional. Entre os estudos analisados, o uso do vape aumentou em mais de três vezes o risco de experimentar o cigarro comum e em mais de quatro vezes o risco de se tornar fumante.
O INCA também alerta que os dispositivos eletrônicos podem conter substâncias tóxicas relacionadas a câncer e doenças respiratórias e cardiovasculares.

No Brasil, a venda desses produtos continua proibida. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também proíbe a fabricação, importação, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda dos cigarros eletrônicos. Isso significa que encontrar um vape à venda não quer dizer que ele seja um produto autorizado.
O cigarro pode provocar câncer em outras partes do corpo
Quando se fala em tabagismo e câncer, é comum pensar primeiro no pulmão. Mas o problema é maior.
De acordo com o INCA, o tabaco está relacionado a tumores na boca, língua, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo do útero, cólon e reto, além de um tipo de leucemia. O instituto associa o tabagismo a 16 tipos de câncer.
Isso acontece porque as substâncias presentes na fumaça do cigarro não ficam apenas nos pulmões. Elas entram na circulação e chegam a diferentes partes do organismo. A fumaça do tabaco contém mais de 7 mil substâncias químicas, sendo dezenas delas consideradas cancerígenas.
Para a oncologista clínica Thais Abreu de Almeida, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), parar de fumar continua sendo a principal forma de reduzir esse risco.
“Parar de fumar reduz o risco de câncer de pulmão e de vários outros tipos de câncer, além de doenças cardiovasculares.”
E quanto antes parar, melhor
Os efeitos do cigarro não desaparecem imediatamente depois que a pessoa decide parar. Mas o organismo começa a se recuperar logo nos primeiros momentos.Com o passar do tempo, diminuem os riscos relacionados ao coração, aos pulmões e ao câncer. Por isso, mesmo quem fuma há muitos anos pode se beneficiar ao abandonar o cigarro.
Outro ponto de atenção é o diagnóstico do câncer de pulmão. A doença pode não apresentar sinais claros no começo. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão e perda de peso sem explicação são alguns dos sintomas que precisam ser avaliados. O ponto principal é simples: o cigarro continua sendo um dos maiores fatores de risco evitáveis para o câncer de pulmão e para várias outras doenças.



