O Centro de Curitiba ganhou 6,8 mil empresas novas de janeiro a setembro deste ano. É um aumento de 78% em relação ao mesmo período de 2025, mais que o dobro do ritmo da cidade, onde o número de novos alvarás cresceu 34%, para 61,5 mil. Os dados são da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento.
Depois de anos com prédios históricos fechados e salas vazias, a região vive uma onda de investimentos. Há lançamentos imobiliários, hotéis, supermercados, cafés e bares, muitos ocupando imóveis antigos que estavam desocupados.
Mais gente morando no Centro
Segundo um estudo da Brain Consultoria para a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), o Centro teve nove lançamentos imobiliários no primeiro semestre de 2026, 80% a mais do que em todo o ano de 2025.
Juntos, esses empreendimentos somam 2.158 apartamentos novos, alta de 75%. O Centro já responde por 18,5% de todas as unidades lançadas em Curitiba.
Um exemplo de reforma de prédio antigo, o chamado retrofit, é o Edifício Apolo, na Rua Mateus Leme, em frente ao Shopping Mueller. Construído em 1970, ele foi reinaugurado em setembro com 54 apartamentos semimobiliados, lojas no térreo, academia, coworking e terraço.
Hotéis e casa de shows
O Centro e o bairro São Francisco concentram 61 dos 101 hotéis de Curitiba, com 17,6 mil leitos, segundo o Instituto Municipal de Turismo.
A região vai ganhar mais um. O antigo Hotel Clímax, na Alameda Dr. Muricy, entre as ruas Pedro Ivo e José Loureiro, vai passar por uma reforma de R$ 30 milhões e reabrir com 132 apartamentos, sob a bandeira internacional Holiday Inn Express. A previsão de conclusão é 2029.
Já o antigo Cine Lido, na Rua Ermelino de Leão, inaugurado em 1959, vai virar uma casa de espetáculos com 2,5 mil lugares, com investimento de R$ 22 milhões. O nome original será mantido.
Supermercados e lojas
As grandes redes de supermercado também apostam no Centro:
- Muffato: assumiu, há cerca de um ano, duas lojas da antiga bandeira Nacional, na Rua XV de Novembro, esquina com a Mariano Torres, e na Rua Comendador Araújo.
- Festval: já tem lojas na Praça Osório e em frente à Praça Ouvidor Pardinho. A terceira será na Rua Marechal Deodoro, 474, em um prédio onde funcionaram agências bancárias. O imóvel tem 5,8 mil metros quadrados de área construída, e a abertura está prevista para 2027.
- Serallê: a rede de artigos esportivos de Cianorte estreou em Curitiba em abril, com uma loja de 1,2 mil metros quadrados na esquina da XV de Novembro com a Monsenhor Celso, onde antes funcionava uma agência do Bradesco.
Ao falar da loja da Praça Osório, primeira da rede no Centro, o diretor comercial e de marketing do Festval, Carlos Beal, a definiu como “uma loja enxuta e completa, alinhada ao ritmo do Centro”. A nova unidade deve seguir o mesmo padrão.
Prédios históricos com nova vida
Outros imóveis antigos também ganharam novos usos:
- Öus: a marca curitibana de calçados e moda abriu café e loja conceito em um prédio tombado de 1919, na Rua Saldanha Marinho, perto da Praça Tiradentes.
- Centro Portfolio de Fotografia: inaugurado em maio no Edifício Schmidlin Tamm, na esquina das ruas Riachuelo e São Francisco, parte do prédio onde funcionou a Casa Porcellana.
Cafés e bares de volta
De janeiro a agosto, o Centro ganhou 662 cafeterias novas, 127 a mais do que no mesmo período do ano passado, alta de 23%. Entre elas estão a Hozak, na Praça Osório, e a Medialuna, de sabores argentinos, na Rua Carlos de Carvalho.
Também abriram a sorveteria Soft Ice, ao lado da Biblioteca Pública do Paraná, a trattoria Piccolina, na Rua Augusto Stellfeld, e o Empório Francesca, na Rua São Francisco, dos donos do Nonna Giovanna.
Um dos símbolos dessa retomada é o Bar Stuart, o mais antigo do Paraná, fundado em 1904. Fechado desde 2023, ele reabriu em junho, na esquina da Praça Osório com a Alameda Cabral. Ao lado dele, o Consulado Central abriu em fevereiro, em frente ao tradicional Maneko’s.
R$ 283 milhões em propostas
Segundo a Prefeitura, o movimento tem ligação com o programa Curitiba de Volta ao Centro, que já concedeu R$ 133 milhões em incentivos fiscais.
O programa também abriu um edital em que a Prefeitura devolve de 25% a 50% do valor gasto em reformas de imóveis. O edital recebeu 47 propostas, que somam R$ 283 milhões em projetos de moradia, hotelaria, comércio, gastronomia e economia criativa. O resultado sai em novembro.
“Quando lancei o Curitiba de Volta ao Centro, eu sempre disse que a Prefeitura ia liderar esse projeto”, afirma o prefeito Eduardo Pimentel.
Para a coordenadora do programa, Tatiana Turra, o resultado aparece nas ruas: “São investimentos que requalificam a região e que ampliam a frequência de pessoas no Centro”.



