O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil na noite de terça-feira (27) e chegou aos Estados Unidos nesta quarta (28), divulgou uma carta em que contesta o resultado da eleição presidencial. Na primeira versão, ele se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Horas depois, o texto foi alterado. Segundo o site Congresso em Foco, a abertura passou a dizer: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil”. O restante da carta foi mantido.
Flávio perdeu o segundo turno, no domingo (25), para Lula (PT), que foi reeleito com 51,79% dos votos válidos.
Fraude sem provas
Na carta, Flávio diz ter visto “uma fraude eleitoral se concretizar” na noite da eleição. Ele afirma que o crescimento de Lula, de mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno, seria uma “impossibilidade matemática”. O senador não apresentou provas.
Ele também critica a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que prorrogou o horário de votação e diz que os eleitores ficaram sujeitos a regras diferentes. No dia da eleição, o ministro Cristiano Zanin autorizou a votação até as 19h apenas nos locais onde as urnas ainda não tinham sido fechadas.
Flávio diz ainda que houve abuso de poder político e econômico na campanha e defende a cassação da chapa Lula-Alckmin.
“Não fugi”
O senador estava proibido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, de sair do país, e não entregou os passaportes à Polícia Federal no prazo. Na carta, ele nega ter fugido. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu.
Flávio diz que é alvo de perseguição política e que trouxe a família para os Estados Unidos, “onde estamos em segurança”. Ele afirma que não havia mandado de prisão contra ele, mas que medidas tomadas contra ele levariam à prisão. Sem citar nomes nem apresentar provas, ele acusa o juiz do caso de estar envolvido num escândalo de corrupção.
Agradecimento a Trump e Milei
Na carta, o senador agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chama de “grande defensor da liberdade de expressão”, e ao presidente da Argentina, Javier Milei. Flávio saiu do Brasil pela fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú e embarcou num jato particular no lado argentino.
Oposição a partir dos EUA
“Liderarei a oposição daqui”, escreveu o senador. Ele promete se dirigir “regularmente” aos brasileiros e apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização “por todos os meios pacíficos e legítimos”.
Flávio também cita o senador Rogério Marinho (PL-RN), que aponta como seu candidato à presidência do Senado, e pede que parlamentares e governadores aliados se mantenham firmes. “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, diz a carta.
O senador Flávio Bolsonaro é investigado pela PF num inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro com casas de apostas e em outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. Ele nega irregularidades.



