O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão da campanha de Renan Santos, do partido Missão, à Presidência da República. A decisão, tomada no domingo (30) e divulgada nesta segunda-feira (31), também alcança a candidatura de Aroldo Medina à vice-presidência.
A medida impede, de forma provisória, a realização de atos de campanha digital, o recebimento de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e a participação de Renan Santos em debates eleitorais.
Decisão envolve uso de redes sociais
Segundo Toffoli, a determinação está relacionada à suspeita de irregularidades na divulgação da candidatura de Renan nas redes sociais.
O ministro apontou que perfis considerados irregulares teriam publicado conteúdos favoráveis ao candidato. A decisão também cita possíveis descumprimentos das regras eleitorais relacionadas ao registro das contas utilizadas pelos candidatos durante a campanha.
A legislação determina que as candidaturas informem, no momento do registro, todas as contas de redes sociais que serão utilizadas na campanha eleitoral. De acordo com a decisão, a campanha de Renan levou 12 dias para informar corretamente todas as redes sociais utilizadas pelo candidato.
Algoritmos estão no centro da discussão
Para Toffoli, a demora na comunicação das contas pode ter produzido uma vantagem para a candidatura.
Isso porque, sem a identificação correta das contas dentro do prazo previsto, as plataformas não teriam aplicado a tempo as medidas de bloqueio previstas pela legislação. Com isso, os perfis poderiam ter sido beneficiados pelos mecanismos automáticos de recomendação das próprias redes sociais.
A decisão considera a possibilidade de que os algoritmos tenham ampliado a exposição do candidato e sugerido seus perfis a usuários que poderiam passar a segui-lo.
Fundo eleitoral também foi suspenso
Além das atividades de campanha na internet, a decisão determina a suspensão dos repasses de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para a chapa.
A participação de Renan Santos em debates eleitorais também fica suspensa enquanto a determinação estiver em vigor. A decisão tem caráter cautelar e está relacionada à apuração das possíveis irregularidades apontadas no processo.
Poscionamento nas redes sociais
Minutos após a repercussão da decisão do TSE, a página oficial do candidato à presidência fez a seguinte postagem, sinalizando o que chamou de “censura” em relação ao ocorrido. Veja abaixo a postagem.

Quem é Renan Santos?
Aos 42 anos, Renan Santos concorre pela primeira vez à Presidência da República. Ele é empresário, ativista político e uma das principais lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL), organização que ajudou a fundar em 2014.
O MBL ganhou projeção nacional durante as manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), realizadas em 2015 e 2016.
Renan estudou Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu o curso. Em 2025, passou a liderar o Missão, partido que disputa sua primeira eleição nacional.



