A temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial já passou de 2°C acima da média em algumas áreas e chegou a mais de 3°C acima do normal em pontos do oceano. O aquecimento reforça a previsão de um El Niño muito forte nos próximos meses. A NOAA, agência norte-americana que acompanha o fenômeno, apontou, na segunda-feira, dia 14, em novo boletim, que há mais de 90% de chance de um evento muito forte e 75% de probabilidade de que, entre outubro e dezembro, ele esteja entre os mais intensos registrados desde 1950. No Brasil, os efeitos mais fortes devem aparecer na Região Sul, com mais chuva, temporais e períodos de calor.
Pacífico registra forte aquecimento
O aquecimento das águas do Pacífico aumentou rapidamente nos últimos meses. Na região Niño 3, uma das áreas usadas para acompanhar o fenômeno, a temperatura estava 2,5°C acima da média. No Niño 1+2, próximo à costa da América do Sul, o desvio chegou a 3,4°C. Na região Niño 3.4, principal referência para medir a intensidade do El Niño, a anomalia estava em 1,8°C.
O El Niño acontece quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal por um período prolongado. Esse aquecimento interfere na circulação da atmosfera e muda os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
Pela intensidade prevista para os próximos meses, o fenômeno vem sendo chamado de Super El Niño. A NOAA estima mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027.
A agência também prevê 75% de chance de que o período entre outubro e dezembro registre um El Niño de intensidade histórica, considerando os eventos observados desde 1950.
Sul do Brasil deve concentrar os efeitos
A Região Sul está entre as áreas do Brasil que mais devem sentir os efeitos do fenômeno. A tendência é de chuva acima da média durante a primavera e o verão, principalmente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
No Paraná, o Simepar prevê chuva acima da média em todas as regiões do Estado. Os maiores volumes devem ocorrer no Oeste e no Sudoeste, principalmente na área da bacia do Rio Iguaçu. Curitiba, Região Metropolitana, Campos Gerais e Litoral também devem ter chuva acima da média, mas com desvios menores em relação ao Oeste e ao Sudoeste.

O El Niño forte ou muito forte também aumenta a possibilidade de episódios de chuva intensa em pouco tempo, com raios, rajadas de vento e granizo. Isso pode elevar o risco de alagamentos, enxurradas, enchentes e deslizamentos.
Primavera deve marcar mudança no padrão
A primavera é o período em que a influência do El Niño costuma ficar mais evidente no Sul do Brasil. No atual episódio, o Simepar prevê que o fenômeno ganhe força até atingir o pico entre a primavera e o verão de 2026/2027. O período entre outubro e dezembro também é apontado pela NOAA como a fase de maior intensidade do fenômeno. É quando aumenta a possibilidade de os efeitos sobre a chuva e a temperatura ficarem mais evidentes.
Isso não significa que haverá chuva forte todos os dias. O El Niño altera o padrão climático, mas cada episódio de temporal depende também da passagem de frentes frias, áreas de baixa pressão e outros sistemas meteorológicos.
E quando o calor aumenta?
O El Niño também favorece períodos de temperaturas acima da média. No Paraná, a tendência é de que esses períodos fiquem mais frequentes durante a primavera e o verão, principalmente entre os episódios de chuva. A previsão, porém, não é de calor contínuo. O cenário esperado é de alternância entre períodos quentes e sistemas de chuva. Em algumas situações, o encontro entre ar quente e úmido pode aumentar a força das tempestades.
Para os próximos dias, o cenário é diferente. Uma massa de ar frio mantém as temperaturas baixas no Paraná até quarta-feira, dia 16. Depois, os termômetros começam a subir gradualmente. Na quinta-feira, dia 17, as máximas podem chegar a 21°C em Curitiba e na Região Metropolitana e a 28°C no Oeste e no Noroeste. A previsão do Simepar indica retorno das chuvas a partir de sexta-feira, dia 18.
Ou seja, o aquecimento mais importante relacionado ao El Niño não deve ser confundido com a variação de temperatura dos próximos dias. O fenômeno atua em uma escala de meses e não determina sozinho o tempo de uma data específica.
Paraná já sente aumento das chuvas
Os efeitos do El Niño já começaram a aparecer no Sul do Brasil. Segundo o INMET, julho teve volumes de chuva entre 30% e 90% acima da média em diferentes pontos da região. Para o Paraná, a previsão indica continuidade desse cenário durante a primavera. Oeste e Sudoeste devem concentrar os maiores volumes, mas outras regiões também podem registrar chuva acima do normal.
O período de maior atenção no Paraná deve começar com o avanço da primavera e aumentar entre outubro e dezembro, quando o El Niño pode atingir sua maior intensidade. A principal mudança esperada é o aumento das chuvas e da frequência de temporais, especialmente no Oeste e no Sudoeste. Curitiba e Região Metropolitana também devem ter chuva acima da média.
Ao mesmo tempo, os períodos de calor tendem a ficar mais frequentes durante a primavera e o verão. A combinação entre temperaturas mais altas, umidade e sistemas de instabilidade pode favorecer temporais fortes.
A intensidade do aquecimento do Pacífico é o principal sinal de que o atual El Niño pode ser um dos mais fortes das últimas décadas. Mas o comportamento da chuva e da temperatura no Paraná ainda dependerá da atuação dos sistemas meteorológicos ao longo de cada período.


