Prefeitos de oito cidades da América Latina se reuniram nesta quinta-feira (17), em uma reunião virtual coordenada pelo prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, para discutir medidas de enfrentamento aos efeitos do super El Niño. Participaram representantes de Curitiba, Maringá, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Fortaleza, Buenos Aires, Bogotá e Quito, além da vice-prefeita de Salvador. O encontro serviu para trocar experiências sobre respostas a eventos extremos, como chuvas fortes, tempestades, alagamentos, secas e escassez de água.
Durante mais de uma hora, os representantes apresentaram os efeitos já registrados em cada cidade e as medidas adotadas para responder aos impactos do fenômeno. Entre as ações discutidas estão a criação de comitês de emergência, reforço da Defesa Civil, planejamento para respostas rápidas, ampliação de áreas verdes e estruturas urbanas para retenção da água da chuva.
Curitiba apresentou o trabalho de um comitê criado especificamente para acompanhar os efeitos do El Niño. O grupo reúne Defesa Civil, Meio Ambiente, Obras Públicas, Comunicação, Segurança Alimentar, Defesa Social e Planejamento Urbano.
Segundo Pimentel, a capital paranaense registrou o agosto mais chuvoso dos últimos 15 anos e setembro também apresenta volumes acima da média histórica. “Formamos um comitê El Niño, liderado pelo nosso órgão de Defesa Civil. Reunimos as áreas de Meio Ambiente, Obras Públicas, Comunicação, Segurança Alimentar e Defesa Social, juntamente com o Planejamento Urbano”, afirmou Pimentel.
Curitiba usa áreas verdes para reduzir impacto das chuvas
Outra medida apresentada por Curitiba foi o uso de parques e áreas verdes como parte da estrutura de prevenção contra alagamentos. A cidade tem 53 parques, que ajudam a reter a água das chuvas.
O exemplo apresentado durante a reunião foi o Parque Barigui, criado na década de 1970 e planejado também para funcionar como uma área de retenção de água. A estratégia utiliza espaços verdes e áreas permeáveis para reduzir a pressão sobre o sistema de drenagem.
A Prefeitura também informou que mais de 285 mil árvores foram plantadas desde janeiro de 2025 dentro do programa Meio Milhão de Árvores, que prevê o plantio de 500 mil árvores até o fim de 2028.

Bogotá enfrenta seca e Buenos Aires registra excesso de chuva
A situação apresentada pelas cidades varia de acordo com a região. Bogotá enfrenta seca prolongada, déficit de precipitação e redução dos níveis dos reservatórios. A capital colombiana também trabalha com medidas de resposta a incêndios florestais.
O prefeito de Bogotá, Carlos Galán, destacou a necessidade de cooperação entre as cidades. “É muito importante trabalharmos juntos, termos o apoio técnico das cidades e do C40”, afirmou Galán.
Em Buenos Aires, o cenário é diferente. A cidade registra chuvas acima da média e também discute medidas para enfrentar os impactos provocados pelo fenômeno. “Em Buenos Aires já estamos sentindo os efeitos do El Niño com chuvas acima da média. Temos grandes desafios e estamos vivendo um momento totalmente novo”, afirmou o prefeito Jorge Macri.
Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza, Salvador e Maringá também relataram impactos provocados pelo fenômeno e apresentaram medidas adotadas para responder aos eventos extremos.
Recursos entram na discussão
Um dos pontos comuns entre os participantes foi a necessidade de recursos para colocar em prática medidas de adaptação climática.
Os representantes defenderam a busca por financiamento para obras e projetos de prevenção, além do acesso a novas tecnologias. A C40 pode atuar na aproximação das cidades com mecanismos de financiamento internacional e no compartilhamento de conhecimento técnico.
A reunião colocou na mesma mesa cidades que enfrentam problemas diferentes. Enquanto Curitiba, Buenos Aires, Rio de Janeiro e cidades do Sul do Brasil lidam com excesso de chuva, tempestades e risco de alagamentos, Bogotá enfrenta seca e redução dos reservatórios.
Participaram os prefeitos Carlos Galán, de Bogotá; Jorge Macri, de Buenos Aires; Pabel Muñoz, de Quito; Evandro Leitão, de Fortaleza; Eduardo Cavaliere, do Rio de Janeiro; Sebastião Melo, de Porto Alegre; Silvio Barros, de Maringá; e Eduardo Pimentel, de Curitiba. Salvador foi representada pela vice-prefeita Ana Paula Matos.



