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Eleições 2026

Parte da direita reconhece vitória de Lula e defende diálogo

Eduardo Pimentel, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Valdemar da Costa Neto reconheceram o resultado das urnas; "decisão do povo é soberana".

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Lideranças da direita e partidos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno reconheceram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defenderam o respeito ao resultado das urnas. Entre eles estão o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o escritor e ex-candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. As manifestações ocorreram após a eleição de domingo (25), que terminou com a reeleição de Lula.

Em tempos de polarização, é importante reforçar que as declarações não significam apoio ao novo governo de Lula, mas um sinal de que uma ala considerável da direita busca a reorganização política a partir de uma pauta democrata e que pacifique o país se distaciando da radicalização. Neste cenário, é natural que se observe essas lideranças mantendo suas posições políticas e, em alguns casos, apresentaram críticas ao governo ou cobrando esclarecimentos sobre a eleição. A diferença, no entanto, está justamente, não só no gesto de reconhecimento do resultado, mas na defesa dos interesses da população e de um modelo de oposição que seja exercida por meio da atuação política e institucional, como foco na construção e não da desconstrução da harmonia do país.

Pimentel diz que diferenças não devem ficar acima do país

Um bom exemplo desse discurso de sobriedade vem do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas não deixou de se manifestar após o resultado. Pimentel não esperou, e publicou uma mensagem após a confirmação da vitória de Lula.

Ele também afirmou respeitar a escolha dos eleitores e desejou sucesso ao presidente reeleito. “O Brasil fez sua escolha nas urnas. Respeito o resultado e espero que os próximos anos sejam bons para todos os brasileiros”, escreveu Pimentel. Em seguida, afirmou que mantém suas convicções políticas, mas que o país deve estar acima das diferenças partidárias. “Desejo ao presidente Lula sucesso na condução do Brasil. Quero ver nosso país crescer, avançar e dar certo”, acrescentou.

O prefeito de Curitiba também afirmou que continuará trabalhando por Curitiba “com diálogo e buscando sempre o melhor para nossa cidade”.

Caiado reconhece decisão da maioria

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que também apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno, reconheceu o resultado em entrevista coletiva após a apuração. “Como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração”, afirmou. Caiado disse que defendia uma renovação no governo federal, mas reconheceu a escolha feita pelos eleitores.

O ex-governador também manifestou a expectativa de que Lula conduza o país com responsabilidade fiscal e sem retaliações a estados e governos que não sejam aliados políticos do Planalto.

Augusto Cury pede que Lula governe para todos

O escritor e ex-candidato à Presidência Augusto Cury (Avante), que declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, cumprimentou Lula e afirmou respeitar o resultado. “Considero que um quarto mandato dificulta a renovação das ideias, projetos, equipes e motivações, mas respeito o resultado”, declarou. Cury pediu que o presidente governe “sem revanchismo e sem sentimentos de vingança”.

O escritor também cobrou respostas para problemas relacionados à educação, à saúde, ao endividamento das famílias e aos juros. Defendeu responsabilidade fiscal e disposição do governo para ouvir especialistas com posições diferentes.

Renan Santos descarta fraude e critica estratégia bolsonarista

Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e candidato à Presidência pelo partido Missão no primeiro turno, reconheceu a vitória de Lula e afirmou que não houve fraude eleitoral.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Renan criticou a estratégia adotada pelo bolsonarismo durante a campanha. Segundo ele, a derrota de Flávio foi resultado, entre outros fatores, da arrogância de integrantes do grupo e de uma atuação concentrada em ataques e engajamento nas redes sociais.

Renan também pediu que eleitores de direita não participem de protestos contra o resultado. Embora tenha criticado a decisão que estendeu o horário de votação em algumas seções, afirmou que a medida não caracteriza fraude.

Valdemar reconhece resultado, mas cobra esclarecimentos

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, publicou uma nota na segunda-feira (26) reconhecendo o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos”, afirmou.

A nota, no entanto, levantou dúvidas sobre a ampliação dos gastos públicos com benefícios sociais às vésperas da votação e cobrou explicações sobre os efeitos dessas medidas no processo eleitoral.

A posição de Valdemar divergiu da manifestação feita por Flávio Bolsonaro na noite de domingo. O candidato derrotado afirmou que não reconheceria o resultado e que pediria a anulação da eleição, alegando irregularidades relacionadas à extensão do horário de votação.

A decisão de ampliar o horário foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, após relatos de dificuldades no transporte de eleitores. A campanha de Flávio também havia solicitado a extensão em municípios de três estados.

Partidos defendem respeito às urnas

Além das manifestações individuais, dirigentes do PSD, MDB, Republicanos, PSDB, União Brasil e Cidadania reconheceram a vitória de Lula e defenderam o respeito à decisão dos eleitores.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, cumprimentou Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Afirmou que o partido pretende apoiar iniciativas voltadas à redução das desigualdades, ao equilíbrio fiscal, à geração de empregos, à educação e à saúde. Também defendeu uma relação republicana com o governo federal.

O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que Lula tem a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro, e defendeu o diálogo com o Congresso Nacional.

O PSDB cumprimentou o presidente reeleito e afirmou que continuará fazendo as críticas que considerar necessárias. O União Brasil também reconheceu o resultado e defendeu a união do país em torno de uma agenda comum. Já o MDB afirmou que a vontade popular se tornou soberana e desejou serenidade ao presidente para governar.

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), também reconheceram a vitória. Ambos defenderam o respeito à escolha dos eleitores e o diálogo entre os Poderes.

Zema contesta eleição; Ratinho Junior não se manifestou

Nem todas as lideranças da direita adotaram a mesma posição. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno, questionou a condução da eleição e acusou Lula de dar um “golpe à la Venezuela”, em referência à extensão do horário de votação. Zema não apresentou provas de fraude na manifestação.

Flávio Bolsonaro, derrotado nas urnas no último domingo, seguiu a agenda do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje cumprindo prisão domicilar, afirmou que não reconheceria o resultado e anunciou que pediria a anulação do pleito.Voltou artrás e disse ontem, que pediria a cassação da chapa de Lula. No mesmo dia, no entanto, Valdemar Costa Neto publicou a nota em que o PL reconheceu oficialmente a vitória de Lula, embora tenha cobrado esclarecimentos sobre medidas adotadas na campanha, reforçando que a cobrança se restringe ao campo político.

No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD), que apoiou Flávio Bolsonaro, não havia divulgado manifestação pública sobre o resultado até o fechamento desta reportagem. O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, foi uma das lideranças paranaenses que reconheceram a vitória do petista.

A reportagem não localizou uma declaração pública de Kim Kataguiri (União Brasil-SP) sobre o reconhecimento do resultado até o fechamento. Por isso, o deputado não é incluído entre os políticos que reconheceram a vitória nem entre os que contestaram formalmente a eleição.

Em resumo, em um panorama geral, as manifestações registradas até agora mostram posições diferentes dentro da direita, mas com um cenário bem diferente de 2022. Hoje, o que se observa é parte importante das lideranças reconhecendo o resultado e defendendo o diálogo institucional, um indicativo de que, diante do último mandato da era Lula, os alinhamentos políticos e o recado das urnas trazem mudanças rápidas na forma de comunicar e conduzir o discurso político em um país que há mais de uma década sofre com a polarização e a radicalização da pauta política.