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Pai de Eduarda Shigematsu confessa assassinato no júri e é condenado a 23 anos

De acordo com a investigação, Eduarda morreu por esganadura. O Ministério Público apontou ainda que o crime teve qualificadoras relacionadas à dificuldade de defesa da vítima, à violência de gênero e ao contexto de violência doméstica.

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Ricardo Seidi Shigematsu admitiu pela primeira vez, durante o júri popular, que matou a filha Eduarda Shigematsu, de 11 anos. O crime aconteceu em 2019, em Rolândia, no Norte do Paraná. Ele foi condenado a 23 anos, 6 meses e 22 dias de prisão. A avó paterna da menina, Terezinha de Jesus Guinaia, foi absolvida.

O julgamento começou na quarta-feira (16) e terminou nesta quinta (17), em Maringá, também no Norte do estado. O caso chegou ao Tribunal do Júri sete anos depois do crime e após oito adiamentos.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou que Ricardo pague R$ 90 mil de reparação mínima por danos morais à mãe de Eduarda.

Ricardo Seidi Shigematsu confessou ter assassinado a filha Eduarda Shigematsu, de 11 anos, durante o júri popular do caso. (Foto: Reprodução)

Confissão aconteceu durante o júri

Até então, Ricardo sustentava outra versão para a morte da filha. Em 2019, ele afirmou à polícia que havia encontrado a menina já morta e que, em desespero, decidiu esconder o corpo.

Durante o julgamento, porém, o pai confessou ter cometido o assassinato.

De acordo com a investigação, Eduarda morreu por esganadura. O Ministério Público apontou ainda que o crime teve qualificadoras relacionadas à dificuldade de defesa da vítima, à violência de gênero e ao contexto de violência doméstica.

Ricardo também foi condenado pelos crimes de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

Avó foi absolvida

Terezinha de Jesus Guinaia também era ré no processo. Segundo o Ministério Público, ela teria contribuído para o crime e, posteriormente, ajudado a dificultar as investigações. A avó respondia por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O Conselho de Sentença, no entanto, rejeitou as acusações e decidiu pela absolvição.

Em nota, a defesa de Terezinha afirmou que a decisão confirmou a tese apresentada desde o início do processo, de que não havia provas suficientes para condená-la. Os advogados também destacaram que ela já havia sido absolvida em uma etapa anterior e que o Tribunal de Justiça do Paraná determinou posteriormente que o caso fosse levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Menina desapareceu após voltar da escola

Eduarda desapareceu em 24 de abril de 2019. Na época, imagens de uma câmera de segurança registraram a menina chegando à casa da família por volta das 11h52.

Segundo as informações divulgadas durante a investigação, ela deixou a mochila no sofá e não foi mais vista. Não havia registro de que tivesse saído do imóvel.

No dia seguinte, a avó paterna, que tinha a guarda judicial da criança, registrou um boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento. Ricardo também chegou a publicar nas redes sociais um pedido de ajuda para localizar a filha.

Três dias depois, o corpo foi encontrado enterrado nos fundos de um imóvel da família, em Rolândia. A localização ocorreu após uma denúncia anônima recebida pela Polícia Militar. Eduarda estava com as mãos e os pés amarrados, além de uma corda no pescoço e materiais cobrindo a cabeça.

O exame da Polícia Científica apontou que a causa da morte foi esganadura, contrariando a versão apresentada inicialmente pelo pai.

Sete anos depois

Ricardo foi preso preventivamente durante a investigação, em abril de 2019. A avó também chegou a ser presa e passou 57 dias detida antes de aguardar o julgamento em liberdade.

Agora, com o encerramento do júri, Ricardo foi condenado pelo assassinato da própria filha, enquanto Terezinha deixou o processo absolvida das acusações.