Depois de oito anos vivendo nas ruas de Curitiba, Kelly voltou a ter uma festa de aniversário. Ela completou 39 anos no fim de agosto, na comunidade terapêutica onde está acolhida desde março, com bolo e “Parabéns pra Você” cantado pelas colegas e pela equipe do local.

Kelly ficou conhecida em janeiro, quando foi a primeira pessoa internada de forma involuntária em Curitiba para tratamento de dependência química. Na época, estava muito debilitada e andava no meio do trânsito da Avenida das Torres, no Jardim Botânico. A ação reuniu a Secretaria Municipal da Saúde, a Fundação de Ação Social (FAS) e a Guarda Municipal e foi feita com base em uma portaria publicada pela Prefeitura em dezembro de 2025.
“Tenho esperança e fé no futuro”
Depois do período de internação para estabilização, Kelly aceitou seguir para uma comunidade terapêutica da rede conveniada da Prefeitura. Hoje, ela reconhece que, na época, não tinha condições de decidir sobre a própria vida.
“Se eu tivesse continuado na rua, podia ter acontecido algo pior comigo: a prisão ou uma overdose. Agora, tenho esperança e fé no futuro”, diz.
Segundo a equipe que acompanha o tratamento, ela chegou à comunidade precisando reaprender hábitos básicos de higiene e convivência. Dez meses depois da internação, Kelly ganhou peso, recebe visitas da família e se dedica ao artesanato. Durante a visita da equipe da Prefeitura, mostrou um crochê ainda em andamento: “Isso aqui vai ser um trilho de mesa”.
Família como incentivo
O acolhimento deve terminar depois da virada do ano. Kelly diz que pretende ficar até o fim. “Vou ficar aqui até quando der e, então, morar com meu irmão e meu filho mais velho. Também quero me reaproximar dos meus outros dois filhos”, conta.
Segundo o responsável pela comunidade terapêutica, o apoio da família tem sido decisivo. “É uma família muito presente e amorosa, que não se desinteressou dela mesmo nos dias mais difíceis”, afirma.
Com os documentos em dia e cadastrada em programas sociais, como o Bolsa Família, Kelly já faz planos: levar o filho mais velho para comer em uma lanchonete de que ele gosta e juntar dinheiro para comprar móveis para a casa do irmão.
Visita da Prefeitura
A comunidade foi visitada pelo secretário municipal de Desenvolvimento Humano, Carlos Eduardo Pijak Júnior, pela secretária da Saúde, Tatiane Filipak, e pelo presidente da FAS, Renan Rodrigues.
“Ela estava em risco e pondo terceiros em risco. Não podíamos simplesmente ficar torcendo para que ela procurasse ajuda”, afirmou Pijak sobre a decisão de janeiro.



