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MP denuncia Tito Barrichello e Tathiana por falsa operação policial

Falsa operação teria sido montada para impedir um crime que nunca existiu. Casal volta a ser polêmica em casos de acusação criminal.

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O Ministério Público do Paraná denunciou o deputado estadual Tito Barrichello (PL), a vereadora de Curitiba Tathiana Guzella (PL) e um terceiro policial civil por abuso de autoridade após uma falsa operação policial realizada em março de 2024, no bairro Bacacheri, em Curitiba. A ação foi acompanhada ao vivo por uma emissora de televisão e divulgada nas redes sociais dos envolvidos, que se apresentaram como policiais em diligência relacionada a uma suposta conspiração para matar um advogado. Segundo o MPPR, porém, eles estavam afastados das funções policiais e a ordem judicial que justificava a ida ao imóvel tratava de outro caso, envolvendo o descumprimento de uma medida protetiva de urgência.

A denúncia foi apresentada em 11 de outubro e divulgada pelo Ministério Público nesta segunda-feira (19). Na época, Barrichello exercia mandato de deputado estadual, enquanto Guzella estava cedida a um gabinete parlamentar, assim como o terceiro denunciado. Nenhum dos três estava no exercício das funções policiais. Mesmo assim, conforme a apuração da Corregedoria da Polícia Civil, eles realizaram a diligência sem comunicação formal à corporação, sem equipe institucional e sem apoio operacional.

O grupo utilizou um veículo particular equipado com sinalizador luminoso no painel e vestiu coletes balísticos com insígnias oficiais e distintivos da Polícia Civil do Paraná. A exposição pública da ação é um dos pontos centrais da acusação: para o Ministério Público, os denunciados usaram os cargos e a condição de agentes públicos para obter projeção pessoal e impulsionar suas imagens com finalidade eleitoral.

Além do abuso de autoridade, Barrichello e o agente de polícia judiciária foram denunciados por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A denúncia ainda não foi recebida pela Justiça. A 4ª Vara Criminal de Curitiba determinou que os três sejam notificados para apresentar resposta preliminar antes de decidir se a acusação dará origem a uma ação penal.

Motivo da falsa operação nunca foi provado

A falsa operação ocorreu em 21 de março de 2024, em uma residência no bairro Bacacheri. Na ocasião, Barrichello divulgou imagens em que aparecia armado com um fuzil e usando colete com identificação da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Tathiana Guzella também apareceu nas imagens com colete identificado com símbolos da Polícia Civil. O material foi publicado nas redes sociais e a diligência teve acompanhamento ao vivo de uma equipe de televisão.

Nas publicações, a ação foi associada à busca por um homem apontado como suspeito de estar envolvido em uma conspiração para matar o advogado, no entanto o suposto crime nunca foi comprovado. O advogado seria ainda uma pessoa com pelo menos uma condenação criminal ligada a furto de caixas eletrônicos no estado de Santa Catarina, nos anos 90. Por esse crime o advogado chegou a ser condenado e cumpriu pena.

Já o alvo da operação era Cláudio Talamini, que negava qualquer participação em tentativa de homicídio contra o advogado. Na ocasião, ele se apresentou à Polícia Civil e acabou detido por descumprir a medida protetiva relacionada a uma mulher. No entanto nenhum inídico de outro crime foi constantado pelas autoridades.

A Polícia Civil informou, à época, que Barrichello e Guzella estavam afastados da corporação e não podiam atuar em nome da instituição. A Corregedoria instaurou apuração sobre a conduta dos três, que resultou no inquérito encaminhado ao Ministério Público. A própria OAB do Paraná também divulgou um comunicado sobre o episódio, classificando-o como uma operação policial simulada e informando que avaliaria a conduta do advogado que teria participado da situação.

MP aponta promoção pessoal e impulsionamento eleitoral

Ao apresentar a denúncia, a 2ª Promotoria de Justiça de Prevenção e Persecução Criminal de Curitiba sustentou que os três denunciados se valeram dos cargos e da condição de agentes públicos para obter vantagem indevida. Na avaliação do órgão, essa vantagem consistiu na exposição televisiva e nas redes sociais, com projeção pessoal e impulsionamento eleitoral.

A acusação destaca que a diligência não foi formalmente comunicada à Polícia Civil e não contou com a estrutura operacional da instituição. A utilização de coletes com insígnias e distintivos oficiais, somada ao veículo particular equipado com sinalizador luminoso e à transmissão pública da ação, integra o conjunto de fatos descritos pelo Ministério Público.

A denúncia por abuso de autoridade ainda depende de análise judicial. A 4ª Vara Criminal determinou a notificação dos acusados para apresentação de resposta preliminar, etapa anterior à decisão sobre o recebimento da acusação. Barrichello e Guzella afirmaram, em nota, que confiam na Justiça, reafirmaram compromisso com a legalidade e disseram que apresentarão seus argumentos no processo. A defesa também ressaltou que a denúncia não equivale a uma condenação.

Ex-chefe de gabinete de Barrichello foi condenado por extorsão

E essa não é a primeira vez que o nome do ex-deputado Tito Barichello é envolvido em polêmicas. Este ano, o seu então chefe de gabinete e braço direito na Polícia Civil, Adailton Joaquim Cândido, conhecido como Cabelo, foi condenado em abril por extorsão em um caso ocorrido em Curitiba em 2017. Cabelo foi acusado e depois condenado por extorquir um vigilante. A Justiça aponta que ele teria usado a condição de policial para intimidar a vítima e exigir dinheiro para não prender o vigilante

Segundo a denúncia, o ex-chefe de gabinete de Tito e mais um policial abordaram o homem em um flagrante de venda de medicamentos controlados, abortivos. Ao invés de prender o suspeito, eles levaram o vigilante a um veículo descaracterizado e la exigiram dinheiro para não levá-lo preso. Como pagamento da extorsão, o homem pagou R$ 5,5 mil em dinheiro, além de uma cobrança posterior de outros R$ 7 mil, totalizando cerca de R$ 12,5 mil. O celular do suspeito também ficou com os policiais e foi aí que o esquema veio abaixo.

Segundo informações relacionadas ao processo, a vítima rastreou o próprio celular, que havia sido levado durante a abordagem, e esse elemento ajudou a levar o caso ao conhecimento das autoridades. A acusação apontou que os policiais teriam usado a ameaça de prisão e a posição funcional para obter dinheiro. A condenação foi publicada pela justiça em abril de 2026. A decisão cabe recurso.

Tathiana Guzella virou ré por discriminação contra vereadora

A vereadora e agora deputada estuadual eleita Tathiana Guzella também é alvo de outras polêmicas e denúncias criminais. Ela responde a uma ação penal por discriminação ou preconceito em razão da procedência nacional, crime popularmente chamado de xenofobia. O caso aconteceu durante uma sessão da Câmara Municipal de Curitiba, em 5 de agosto de 2026, quando os parlamentares discutiam um projeto de lei sobre a criação de um cadastro municipal de pessoas em situação de rua.

Durante o debate, Guzella questionou a origem da vereadora Vanda de Assis (PT), que nasceu em Campos Sales, no Ceará. Em seguida, perguntou por que a colega não voltava para o estado de origem e afirmou que ela havia vindo para Curitiba “encher o saco”. A fala provocou reação no plenário e levou Vanda a acusar a parlamentar de xenofobia.

O Ministério Público do Paraná denunciou Guzella, sustentando que as declarações teriam sido proferidas com intenção de ofender e humilhar a colega, além de menosprezar pessoas de origem cearense. A Promotoria pediu a responsabilização criminal da vereadora e a fixação de indenização de 20 salários mínimos à vítima, além de outros 40 salários mínimos por dano moral coletivo.

A Justiça aceitou a denúncia em 12 de agosto, tornando Guzella ré nesse processo. A vereadora negou ter praticado xenofobia e afirmou que sua fala foi interrompida antes que pudesse concluir o raciocínio. Segundo sua versão, a intenção era criticar políticas públicas relacionadas ao Ceará, e não discriminar a origem da colega ou a população nordestina.