O assassinato de Bianca Vieira Prado completou um mês no último sábado (17), e a família ainda aguarda respostas das autoridades. A jovem, de 19 anos, desapareceu em Curitiba depois de sair de casa na noite de 16 de setembro e teve o corpo encontrado em uma área de mata em Piraquara, na Região Metropolitana, em 6 de outubro.
O delegado de polícia Thiago Filgueiras concedeu uma única entrevista sobre o caso, no dia em que o corpo foi localizado. Na ocasião, informou que pelo menos três pessoas teriam participado diretamente da morte e da ocultação do cadáver. A melhor amiga de Bianca, conhecida pelo apelido de Pestinha e apontada como a última pessoa vista com a jovem, continua sendo um dos pontos centrais das dúvidas em torno da investigação. O delegado não comenta publicamente sobre ela, descrita como filha adotiva de uma família da classe média alta da capital paranaense.
Desaparecimento começou após saída para uma casa noturna
Bianca morava no bairro Campo Comprido, em Curitiba, e saiu de casa em 16 de setembro acompanhada da amiga conhecida como Pestinha. As duas disseram que iriam a uma casa noturna na região do Capão Raso, onde encontrariam dois homens. Bianca não voltou para casa, e a família começou a tentar descobrir onde ela estava.
No dia seguinte, 17 de setembro, a jovem ainda fez contato com a mãe, Cleide Vieira. Na conversa, pediu R$ 80 para desbloquear o celular e disse que estava na casa de familiares da amiga. Depois desse contato, não voltou a responder às mensagens nem às ligações da família.
A mãe tentou falar com Bianca repetidas vezes. Entre 17 e 29 de setembro, foram 44 tentativas de contato, sendo 31 ligações e 13 mensagens, sem resposta. A ausência de notícias levou a família a procurar as autoridades e pedir ajuda para localizar a jovem.
Corpo foi encontrado enterrado em área de mata
As buscas terminaram em 6 de outubro, quando a Polícia Civil localizou o corpo de Bianca em uma cova rasa no bairro Guarituba, em Piraquara. A jovem estava enterrada em uma região de mata de difícil acesso e, segundo informações divulgadas na época, tinha as mãos amarradas.
A localização do corpo mudou o foco da investigação, que passou do desaparecimento para o esclarecimento das circunstâncias da morte e a identificação de todos os envolvidos. O delegado Thiago Filgueiras afirmou que pelo menos três pessoas teriam participado do assassinato e da ocultação do cadáver. Uma quarta pessoa teria envolvimento, mas relacionada ao mando do crime. A hipótese de que Bianca tenha sido atraída para uma emboscada também foi mencionada durante a apuração inicial.
Até agora, porém, as informações divulgadas publicamente não esclarecem a dinâmica completa do crime, a motivação nem a participação individual de cada pessoa investigada. Esses pontos dependem do avanço das diligências e da análise das provas reunidas pela Polícia Civil.
Amiga conhecida como Pestinha permanece no centro das dúvidas
A relação entre Bianca e a amiga conhecida como Pestinha é um dos pontos que ainda geram questionamentos. As duas estavam juntas no período em que Bianca desapareceu, e a amiga é apontada como a última pessoa vista com a jovem antes de ela sumir.
Relatos reunidos durante a apuração indicam que Bianca e Pestinha mantinham uma relação próxima e que a amiga havia passado a morar na casa da jovem cerca de um mês antes do desaparecimento. Familiares também relataram desentendimentos e pedidos de dinheiro relacionados às saídas das duas. Essas informações ajudam a reconstruir o contexto anterior ao desaparecimento, mas, isoladamente, não comprovam participação no assassinato.
Pestinha foi ouvida pela polícia, conforme informações obtidas durante a apuração do caso. A existência desse depoimento, que não teve seu teor divulgado ou comentado pela polícia, no entanto, segue em sigilo.
A família também questiona o andamento da investigação e a falta de informações claras sobre os próximos passos. Desde a localização do corpo, a Polícia Civil não apresentou publicamente uma reconstrução completa do crime. O delegado Thiago Filgueiras, que falou com a imprensa em 6 de outubro, não voltou a comentar o caso publicamente, segundo as informações disponíveis para esta reportagem.
Família sepultou Bianca e continua cobrando respostas
Bianca foi sepultada em 8 de outubro, no Cemitério do Campo Comprido, em Curitiba, sem velório. Familiares e amigos se reuniram para se despedir da jovem e pedir justiça. Antes da localização do corpo, a família também havia organizado uma manifestação em frente à Delegacia de Proteção à Pessoa para cobrar informações sobre o desaparecimento.
A mãe, Cleide Vieira, criou Bianca sozinha e acompanhou as buscas durante os 20 dias em que a jovem permaneceu desaparecida. Agora, com a confirmação da morte, a família espera que a investigação esclareça o que aconteceu entre a saída de casa e a localização do corpo, quem participou do crime e por que Bianca foi morta.
Um mês depois, as perguntas centrais continuam sem resposta pública: como a jovem foi levada até Piraquara, em que circunstâncias foi assassinada, quem participou da ocultação do cadáver e qual foi a motivação do crime. Para a família, a localização de Bianca encerrou a espera por notícias sobre seu paradeiro, mas não a busca por justiça.



