O número de furtos registrados no Jardim Botânico, em Curitiba, aumentou 53,76% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os registros passaram de 372 para 572 ocorrências, uma diferença de 200 casos no período analisado, considerando apenas as ocorrências registradas pela polícia. O número supera, por exemplo, a média de crescimento desse tipo de ocorrência em toda a Curitiba, no mesmo período, que foi de apenas 7,75%. É do Jardim Botânico também a maior alta se comparada com os cinco bairros com o maior índice de registros de furtos em Curitiba.
Os números fazem parte de um levantamento feito pelo Portal Populari, elaborado a partir das estatísticas mensais oficiais disponibilizadas pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR). O comparativo considera os registros informados pela própria secretaria para os períodos de janeiro a junho de 2025 e de janeiro a junho de 2026, sem alterações nos dados fornecidos pelo órgão.
Em Curitiba, foram registrados 22.704 furtos entre janeiro e junho de 2025. No primeiro semestre de 2026, o total chegou a 24.463 ocorrências, 1.759 a mais. A comparação mostra que o avanço no Jardim Botânico ocorreu em proporção quase sete vezes maior do que na cidade.
Problema crônico assola Jardim Botânico
O Portal Populari acompanhou a rotina dos moradores do Jardim Botânico em um grupo criado por moradores do bairro. O objetivo do grupo é um só; segurança da vizinhança. Pedidos de ajuda, alertas sobre suspeitos rondando casas e vídeos de câmeras de segurança registrando furtos de cabos de telefonia, cadeados de portões, registros de água, carros, portões e até telhados de alumínio são comuns na comunidade criada em um aplicativo de mensagens.
A sensação de insegurança é perceptível quando pessoas de idade compartilham fotos, feitas das janelas das casas e apartamentos, mostrando o movimento de pessoas rondando os imóveis em horários que a maioria dos moradores está trabalhando. O medo já faz parte da rotina de quem mora no Jardim Botânico. “Malandro entrando em condomínios neste momento, tentou entra aqui, mas quando passou pelo portão desistiu com o disparo do alarme”, informou um morador no início da madrugada desta sexta-feira, dia 30. Os moradores atentos ao grupo, difundiram o alerta imediatamente.
De madrugada, final de semana feriado. Os moradores do Jardim Botânico vivem em estado de vigilância. Os “nóias” como eles se referem aos suspeitos flagrados em diversas situações de furto, não tem hora para agir. No início do mês, a câmera de segurança de uma casa registrou os gritos do morador. Era domingo, passava das 22h, quando dois homens subiram no poste em frente a residência e começaram a cortar os cabos. O morador gritava, dizia que iria chamar a polícia, mas os suspeitos sequer se importaram. Terminaram o que estavam fazendo e acabaram detidos por um segurança particular momentos depois.

Os moradores discutem ainda o grande número de usuários de drogas circulando pela região. A proximidade com a Vila Torres, que fica do outro lado da Avenida Comendador Franco, é um dos fatores que contribuí tanto para o fluxo de usuários na região, quanto para o número crescente de furtos. Isso por que a Vila Torres conta com dezenas de pontos de tráfico em seus becos e vielas. No caso mais emblemático da insegurança da região, uma rua, ao lado do Viaduto que da acesso ao Jardim Botânico, funciona 24 horas por dia com o tráfico em sistema Drive True, onde traficantes vendem crack, cocaína e maconha para pedestres, motoqueiros, ciclistas e motoristas a luz do dia, na calçada.
Entre as queixas mais frequentes da população do Jardim Botânico está a ausência de policiamento no bairro, o que para os moradores apenas favorece o aumento da criminalidade na região. As discussões no grupo de moradores sempe caem em pedidos de providências ao poder público e debates acalorados quanto ao limite da ação dos moradores em casos de flagrante.
Centro concentra maior número de furtos
Saindo do Jardim Botânico e olhando para a cidade como um todo, os números oficiais das forças de segurança quando o assunto é furto mostram o que todo morador de Curitiba sabe. É no Centro que o maior número de crimes dessa natureza acontece. A região mais uma vez liderou o número de furtos em Curitiba. No primeiro semestre de 2026, foram 3.860 registros. O volume representa um aumento de 7,94% em relação às 3.576 ocorrências contabilizadas nos seis primeiros meses de 2025.
Outro bairro que segue com as estatísticas em alta é o Água Verde que aparece na segunda posição, com 1.275 furtos. No mesmo período do ano passado, o bairro havia registrado 982 casos. O aumento foi de 293 ocorrências, o maior crescimento absoluto entre os bairros da comparação, equivalente a 29,84%. Na sequência está o Rebouças, que registrou 924 furtos no primeiro semestre de 2026. O número representa uma queda de 11,15% em relação aos 1.040 casos do mesmo período de 2025.
O Portão aparece na quarta posição, com 908 ocorrências. A região não estava entre os cinco bairros com maior número de registros no primeiro semestre do ano passado. Já a Cidade Industrial de Curitiba (CIC) ocupa a quinta posição, com 861 furtos, ante 795 no mesmo período de 2025, um aumento de 8,30%.
Portão entra na lista dos cinco bairros com mais furtos
A comparação entre os dois semestres também mostra mudanças na lista dos bairros com maior número de furtos. O Portão passou a integrar os cinco primeiros colocados, enquanto o Boqueirão, que havia registrado 889 ocorrências no primeiro semestre de 2025, deixou a lista.
Apesar de o Centro continuar na liderança em números absolutos, o crescimento percentual mais expressivo entre os bairros com dados comparáveis foi no Jardim Botânico, 53,76% de alta, seguido do Água Verde, com alta de 29,84%.
O que diz a SESP-PR
O Jornalismo do Portal Populari procurou a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública para questionar os dados e pedir uma posição da pasta quanto aos números. A assessoria deve enviar a posição ainda nesta sexta-feira, dia 30 de outubro. A reportagem segue em atualização aguardando o retorno da SESP-PR.



