Um estudo realizado em 2026 pela Universidade de Tilburg, na Holanda, mostrou que o uso do celular pela mãe durante a interação com o bebê reduz a sincronização da atividade cerebral entre os dois. A pesquisa acompanhou 33 mães e seus bebês, com idades entre 5 e 12 meses, e identificou que a sincronização diminuiu quando as mães interromperam a interação para olhar o smartphone. Quando o aparelho foi deixado de lado e a interação retomada, o indicador voltou aos níveis anteriores.
O estudo foi publicado em janeiro de 2026 na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature. Os pesquisadores utilizaram dois aparelhos de eletroencefalograma, o EEG, para registrar simultaneamente a atividade cerebral das mães e dos bebês durante as interações.
Mães interromperam a interação para olhar o celular
Durante o experimento, mãe e bebê passaram por períodos de brincadeira e por momentos em que a mãe deveria pegar o smartphone, olhar para o aparelho e não interagir com a criança. Cada interrupção durou dois minutos. Nos períodos de uso do celular, a sincronização entre as atividades cerebrais diminuiu. Quando as mães voltaram a brincar e interagir com os filhos, o indicador aumentou novamente.
Os pesquisadores usam o termo “technoference” para descrever situações em que aparelhos tecnológicos interrompem ou interferem na interação entre pessoas.
O que o estudo realmente mostra
O resultado não significa que o celular provoque danos permanentes no desenvolvimento do bebê. A pesquisa avaliou as alterações ocorridas durante a interrupção da interação e mostrou uma mudança na atividade cerebral sincronizada entre mãe e filho.
Os próprios pesquisadores apontam que ainda é necessário compreender melhor o significado dessa sincronização para o desenvolvimento infantil. O resultado observado no estudo foi a redução durante o período em que a mãe estava concentrada no smartphone, seguida de recuperação após a retomada da interação.
Pesquisa analisou bebês de 5 a 12 meses
Os bebês avaliados tinham entre 5 e 12 meses, fase em que as interações com os adultos são importantes para a comunicação e a aprendizagem.
A pesquisa foi realizada em laboratório, na Universidade de Tilburg. Mães e bebês participaram de uma sessão com diferentes atividades, incluindo brincadeiras e leitura. Para o estudo, os pesquisadores analisaram especificamente os momentos em que a interação foi interrompida pelo uso do smartphone.
O trabalho mostra que a interferência da tecnologia na relação entre adultos e bebês não depende apenas do contato da criança com telas. O uso do celular pelos pais também pode interromper a interação com o bebê. O estudo identificou uma alteração na sincronização da atividade cerebral durante esses momentos, mas não permite afirmar que o uso do aparelho provoque consequências permanentes no desenvolvimento infantil.



