O senador eleito pelo Paraná Deltan Dallagnol (Novo) foi escolhido pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para analisar os dados bancários, fiscais e telefônicos que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se comprometeu a abrir. Ex-procurador e ex-coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan vai conferir os documentos de Lula e de pessoas ligadas a ele, em busca de inconsistências.
A escolha faz parte do desafio da quebra de sigilos, que virou um dos temas centrais da reta final da campanha. Nesta quinta-feira (22), as duas campanhas chegaram a um acordo para abrir os sigilos ao mesmo tempo, mas o acordo ainda depende de aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O segundo turno é no domingo (25).
Como começou o desafio
O desafio foi lançado por Lula no debate da Band, no domingo (18). Ele propôs que os dois candidatos abrissem seus sigilos bancário, fiscal e telefônico e os de familiares.
Na terça (20), a defesa de Lula protocolou no TSE uma autorização para abrir os próprios dados dos últimos oito anos, com a condição de que Flávio fizesse o mesmo.
Na quarta (21), Flávio aceitou, mas apresentou 19 condições. Entre elas, pediu a inclusão de dados da primeira-dama Janja, do filho do presidente, de empresas e pessoas próximas, do Instituto Lula e dos gastos com cartões corporativos da Presidência, por um período de 20 anos.
A campanha de Lula disse aceitar as condições, mas pediu que também fossem incluídos os dados da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal.
Impasse no TSE
Na manhã desta quinta, as duas campanhas foram ao TSE. A de Lula entregou a resposta formal. A de Flávio não apresentou os próprios dados e disse que só vai entregá-los depois que Deltan conferir se a documentação de Lula está completa.
“Se eles trouxerem tudo, a gente traz”, afirmou a advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri.
Deltan acusou a campanha de Lula de tentar deixar de fora o Instituto Lula e dados relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro. “É direito do povo saber”, disse.
A campanha de Lula rebateu. “Quem propôs o desafio de abrir o sigilo bancário foi o presidente Lula”, afirmou o ministro Guilherme Boulos. O coordenador da campanha, Camilo Santana, cobrou pressa: “É preciso que o sigilo e todas as autorizações sejam feitas hoje para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão.”
Acordo para abertura total
À tarde, as campanhas fecharam um acordo para uma quebra total e simultânea dos sigilos, assinado por Lula e pela advogada de Flávio. Os dados seriam pedidos ao Banco Central, à Receita Federal, a bancos e a operadoras de telefonia, e divulgados em um site público.
O prazo para enviar as autorizações ao TSE vai até as 23h59 desta quinta. O pedido ainda precisa ser aprovado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no tribunal.



