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Paraná

Chuva deixa milhares de pessoas fora de casa, derruba estradas e faz rios subirem no Paraná

Rios sobem, estradas são destruídas, comunidades ficam isoladas e barragens aumentam a vazão em diferentes regiões do Estado.

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As fortes chuvas que atingem o Paraná desde quarta-feira (9) já deixaram 14.530 pessoas afetadas em 59 municípios, segundo o balanço mais recente da Defesa Civil, atualizado neste domingo (13). São 2.070 pessoas desalojadas, 362 desabrigadas e 2.640 casas danificadas. Três pessoas morreram em Ponta Grossa, depois que um barranco atingiu uma casa. Na Grande Curitiba, os principais problemas estão concentrados em alagamentos, deslizamentos, estradas destruídas e elevação dos rios. Em Cerro Azul, foram registrados 228,6 milímetros de chuva nas duas primeiras semanas de setembro, mais que o dobro da média histórica para todo o mês, que é de 105,6 milímetros.

A situação mais grave na Região Metropolitana está no Vale do Ribeira. Cerro Azul, Adrianópolis, Tunas do Paraná e Rio Branco do Sul enfrentam alagamentos, quedas de barreiras, estradas interditadas e comunidades isoladas. A BR-476 tem pontos de bloqueio total e parcial, enquanto a PR-092 também apresenta trechos afetados entre Almirante Tamandaré, Rio Branco do Sul e Cerro Azul.

Cerro Azul

Cerro Azul está entre os municípios mais atingidos da Grande Curitiba. A cheia dos rios Ribeira, Turvo e Ponta Grosa provocou inundações e obrigou a retirada de moradores de áreas atingidas. Comunidades rurais ficaram isoladas por causa das quedas de barreiras.

O município também teve problemas no abastecimento de água, energia elétrica e internet. As equipes da Copel e da Sanepar foram acionadas para tentar recuperar os serviços.

Força da chuva levou parte da PR-092, Estrada da Ribeira, que liga Cerro Azul a Rio Branco do Sul

O volume de chuva ajuda a explicar a dimensão do problema. Até sábado (12), Cerro Azul acumulava 228,6 milímetros em setembro. A média histórica para o mês inteiro é de 105,6 milímetros. Só no sábado, foram registrados 76,8 milímetros, o equivalente a 72% da média mensal.

A cidade também sofre com os problemas nas estradas. A queda de barreiras e o avanço da água atingiram acessos usados por moradores da zona rural, enquanto trechos da PR-092, no caminho entre Rio Branco do Sul e Cerro Azul, permanecem afetados.

Adrianópolis

Em Adrianópolis, a chuva provocou alagamentos e deixou a cidade isolada por terra. O problema mais grave está na BR-476, onde a erosão fez a pista ceder completamente em trechos da Estrada da Ribeira.

A rodovia está interditada no km 6 e também há bloqueio no km 14,5. A erosão levou parte do asfalto e impede a passagem de veículos. A ligação por terra com outras cidades ficou comprometida e, em determinados pontos, o acesso precisa ser feito pelo lado de São Paulo.

A Defesa Civil registra duas pessoas afetadas e desalojadas e uma casa danificada no município. O número oficial ainda pode mudar conforme novas ocorrências sejam cadastradas.

O Rio Ribeira de Iguape também subiu bastante na divisa entre Paraná e São Paulo. A força da correnteza chegou a arrastar uma árvore pela ponte que liga Adrianópolis a Ribeira, em São Paulo. O rio estava acima do nível normal depois de vários dias de chuva.

Tunas do Paraná

Tunas do Paraná também enfrenta problemas de acesso. A BR-476 está totalmente interditada no km 42 e no km 46 por causa de quedas de barreiras. Outro bloqueio ocorreu no km 55, onde parte da estrada também foi atingida.

A orientação das autoridades é evitar a BR-476 e utilizar a BR-116 como alternativa.

Rio Branco do Sul

Rio Branco do Sul teve registros de deslizamentos e quedas de barreiras. Segundo o balanço da Defesa Civil, 72 pessoas foram afetadas, oito ficaram desalojadas e 18 residências foram danificadas.

A cidade também está no trecho mais complicado da PR-092, que apresenta quedas de barreiras entre Almirante Tamandaré, Rio Branco do Sul e Cerro Azul. Na BR-476, há pontos de interdição parcial nos quilômetros 72, 75 e 78.

Almirante Tamandaré

Almirante Tamandaré teve um dos maiores impactos entre os municípios mais próximos de Curitiba. Os deslizamentos registrados nos últimos dias atingiram 104 pessoas. Destas, 100 precisaram deixar suas casas e quatro estão desabrigadas. A Defesa Civil contabiliza ainda 31 casas danificadas. Neste domingo, novos desmoronamentos de barrancos e erosões atingiram vias do município.

Em Almirante Tamandaré centenas de pessoas estão desalojadas ou desabrigadas, município é castigado pelas chuvas desde a semana passada

Desde quinta-feira, bairros da cidade também tiveram ruas alagadas. A Avenida Emílio Johnson, no Centro, precisou ser interditada por causa da quantidade de água.

Campina Grande do Sul

Campina Grande do Sul passou a ser o município da Região Metropolitana com o maior número de pessoas afetadas no balanço estadual. A Defesa Civil registra 900 pessoas atingidas pelas chuvas, 15 desalojadas e três desabrigadas.

O número cresceu bastante em relação ao levantamento anterior, quando eram 131 pessoas afetadas. A atualização mostra que os impactos foram maiores do que os registrados inicialmente.

São José dos Pinhais

São José dos Pinhais registra 320 pessoas afetadas pelas inundações, 20 desalojadas e 72 casas danificadas. Moradores chegaram a bloquear uma rua em protesto depois dos alagamentos registrados no município. O protesto ocorreu no sábado (12), na Rua Marechal Hermes.

Araucária

Em Araucária, a Defesa Civil registra 200 pessoas afetadas em duas ocorrências. Uma inundação atingiu 180 moradores e deixou 27 pessoas desabrigadas. Outro alagamento havia atingido 20 pessoas anteriormente. A situação também preocupa nas áreas rurais. Há registros de pontos de alagamento e dificuldades de acesso em localidades do município, enquanto o Rio Iguaçu é monitorado por causa da quantidade de água que chega à bacia.

Pinhais e Curitiba

Pinhais também registrou chuva forte. No sábado (12), o acumulado chegou a 25,2 milímetros. Em Colombo foram 30,4 milímetros. Curitiba teve 17 milímetros na estação do Simepar e 14,6 milímetros na estação do Inmet.

Na capital, a Defesa Civil registra uma ocorrência relacionada ao vendaval do dia 9. Quatro pessoas ficaram desalojadas e uma casa foi destruída. A sequência de chuva também mantém atenção para os rios e áreas de risco da cidade, principalmente porque o solo está encharcado e novos volumes de chuva podem provocar alagamentos e deslizamentos.

Rio Negro

Rio Negro enfrenta uma situação diferente, mas também preocupante. O nível do Rio Negro voltou a subir depois da enchente registrada no começo do mês. No sábado (12), o rio chegou a 6,90 metros e continuava subindo mesmo sem chuva naquele momento.

A Defesa Civil e a Prefeitura mantêm uma força-tarefa para acompanhar o Rio Negro e o Rio Passa Três. No interior do município, a água já provocou interdições na via da Maitaca, na estrada geral do Cunhupã, no Arroio do Veado e na ligação entre Rio Negro e Mafra.

Quatorze famílias, somando 50 pessoas, ainda permaneciam em um abrigo municipal após a enchente anterior. O município já havia registrado 122 desalojados e 34 pessoas em abrigo quando o Rio Negro chegou a 8,11 metros no início de setembro.

Estradas viraram um dos principais problemas

A chuva provocou uma série de interdições nas rodovias da Grande Curitiba. O levantamento da PRF divulgado neste domingo apontava quatro pontos de interdição total e sete parciais na BR-476.

Os bloqueios totais estavam nos quilômetros 6 e 14,5, em Adrianópolis, e nos quilômetros 42 e 46, em Tunas do Paraná. Havia ainda interdições parciais nos quilômetros 72, 75 e 78, em Rio Branco do Sul, no km 88, em Bocaiúva do Sul, e no km 104, em Colombo.

Também havia pontos considerados de risco nos quilômetros 97 e 102, em Bocaiúva do Sul, por causa de árvores com risco de queda e movimentação de terra.

Barragens aumentaram a vazão dos rios

A chuva também levou a Copel a aumentar a vazão de algumas usinas. Na bacia do Rio Iguaçu, as usinas de Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias estavam com os vertedouros abertos para manter os reservatórios abaixo do limite máximo.

Em Foz do Areia, o reservatório recebia cerca de 2,4 milhões de litros de água por segundo. Para reduzir o nível da represa, a Copel passou a liberar aproximadamente 3 milhões de litros por segundo, somando a água que passa pelas turbinas e pelo vertedouro.

A medida não significa que uma barragem esteja rompendo. A abertura controlada dos vertedouros é uma forma de controlar o volume armazenado quando os reservatórios recebem muita água. O efeito, porém, é o aumento da vazão dos rios abaixo das usinas, o que exige monitoramento das áreas ribeirinhas.

No Rio Capivari, a Copel também aumentou a vazão da Represa Governador Parigot de Souza. Em Campina Grande do Sul, a elevação da vazão levou à interdição preventiva de uma ponte sobre o rio.

União da Vitória concentra a maior cheia

No interior, o maior impacto relacionado às cheias está em União da Vitória. A Defesa Civil registra 2.047 pessoas afetadas pela inundação do Rio Iguaçu. São 1.800 desalojados e 247 desabrigados.

O município também registra 522 casas danificadas e está entre as cidades que decretaram situação de emergência.

A situação do Rio Iguaçu é acompanhada de perto porque o nível do rio responde ao volume de chuva registrado em toda a bacia. A abertura das comportas das usinas também faz parte do controle do nível dos reservatórios ao longo do sistema.

Ponta Grossa teve as três mortes

Ponta Grossa teve o episódio mais grave em relação a vítimas. Um casal de 21 anos e o filho de cinco anos morreram depois que um barranco deslizou sobre a casa onde a família estava. A Defesa Civil registra 40 pessoas afetadas no município, sete desalojadas e 13 casas danificadas.

Em Ponta Grossa três pessoas de uma mesma família, entre elas uma criança, morreram em um deslizamento de terra

Dois Vizinhos e Palmeira também tiveram grandes prejuízos

No Oeste e Sudoeste, os temporais provocaram danos em milhares de imóveis. Em Dois Vizinhos, uma tempestade com granizo atingiu 4.886 pessoas, deixou 30 desalojadas e danificou 1.214 casas. O município decretou situação de emergência.

Em Palmeira, nos Campos Gerais, um vendaval atingiu 3.290 pessoas e danificou 145 casas.

O Paraná também registrou três tornados entre quarta-feira (9) e sexta-feira (11), em Francisco Alves, Espigão Alto do Iguaçu e Goioerê. Em Espigão Alto do Iguaçu, houve danos em escolas e destruição de uma área de plantação de eucalipto.

Governo amplia operação de resposta

Diante da dimensão dos estragos, o Governo do Paraná ativou o Gabinete de Gestão Integrada para concentrar as informações e organizar as ações de resposta. A estrutura reúne Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, órgãos estaduais e federais e outros serviços envolvidos no atendimento às cidades atingidas.

No domingo (13), o governador Ratinho Junior anunciou também o acionamento do Exército para ajudar no acesso às comunidades isoladas do Vale do Ribeira. A ideia é montar uma ponte de acesso em uma das áreas que ficaram sem ligação por terra.

Governo do Estado montou comitê de crise para o enfrentamento aos danos causados pelas chuvas

A operação tem como prioridades o atendimento às famílias que precisaram sair de casa, o acesso às comunidades isoladas, a recuperação das estradas e o restabelecimento de serviços como energia elétrica e água.

Chuva perde força, mas risco continua

O balanço da Defesa Civil ainda pode mudar porque os municípios continuam cadastrando novas ocorrências e atualizando os prejuízos. Até a tarde deste domingo, eram 59 municípios atingidos, 14.530 pessoas afetadas, 2.070 desalojados, 362 desabrigados, três mortos e 2.640 casas danificadas.

Mesmo com a redução da chuva em algumas regiões, o risco não desaparece imediatamente. O solo está encharcado, os rios continuam altos e estradas e encostas ficaram fragilizadas. Por isso, áreas que já sofreram com alagamentos, deslizamentos e erosões continuam sendo monitoradas.

Na Grande Curitiba, o Vale do Ribeira concentra hoje os problemas mais graves de infraestrutura e acesso. No interior, União da Vitória enfrenta a cheia do Rio Iguaçu, enquanto municípios de diferentes regiões ainda contabilizam os prejuízos provocados por granizo, vendavais, tornados, alagamentos e deslizamentos.

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