Aos 18 anos, um estudante que fez todo o Ensino Médio na rede pública do Paraná chegou ao outro lado do mundo para representar o Brasil em uma competição de inteligência artificial. Rafael da Silva Pulcinelli, de Santa Amélia, no Norte Pioneiro, conquistou uma menção honrosa na Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial, realizada no Cazaquistão. O resultado ajudou o Brasil a alcançar seu melhor desempenho desde o início da competição.
Rafael terminou o Ensino Médio em 2025 no Colégio Estadual Vinícius de Morais. O interesse pela tecnologia começou ainda na primeira série, quando teve contato com a disciplina de Pensamento Computacional. No ano seguinte, ele participou do Talento Tech, programa de capacitação em tecnologia, e começou a se aprofundar em inteligência artificial.
Foi esse caminho que levou o estudante até a competição internacional. Depois de se destacar na Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial, em 2025, Rafael conquistou uma vaga na seleção brasileira. A competição foi realizada entre os dias 2 e 8 de agosto, em Astana, capital do Cazaquistão, reunindo estudantes de diferentes países em provas de ciência de dados, programação, robótica e inteligência artificial.
Para Rafael, a viagem também foi uma experiência que foi além da competição.
“Foi minha primeira viagem para fora do país. Tudo é muito interessante. A própria universidade tinha uma estrutura enorme e eu fiquei incrédulo com todas as estruturas em Astana, que são grandes e majestosas.”
Um caminho que começou na escola
Antes de chegar à competição internacional, Rafael já havia participado de outras disputas de tecnologia, robótica e empreendedorismo. Uma delas foi a GeniusCon, em que sua equipe ficou em segundo lugar na categoria Robótica Sênior com um projeto de horta autônoma chamado Horta Link. O trabalho também foi destaque no Agrinho Robótica de 2025.
O estudante ainda conquistou medalha de ouro na Maratona Tech, participou de hackathons e competições de empreendedorismo e foi escolhido entre os 20 jovens empreendedores do país pelo programa Escalada Sebrae. Mas, segundo Rafael, o caminho não foi feito apenas de conquistas. “Minha visão sobre essas competições mudou muito, porque é algo muito competitivo e pode desmotivar quando o reconhecimento não vem, mas entendi que é um processo. Eu já participei de muitos projetos, olimpíadas, e eu perdi várias coisas também. Agora tive uma grande conquista e vários resultados.”

Hoje, ele cursa Engenharia da Computação na UTFPR de Cornélio Procópio e diz que pretende continuar participando de competições e incentivar outros estudantes a fazerem o mesmo.
“Antes eu não tinha tanto acesso às oportunidades, mas na terceira série do Ensino Médio algumas apareceram e cada vez conheço mais competições e projetos. A inscrição na primeira competição é a melhor forma de começar.”
Da olimpíada nacional para o Cazaquistão
A vaga na seleção brasileira veio depois do desempenho de Rafael na Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial, no fim de 2025. A competição teve mais de 965 mil participantes em todo o país. Depois de oito meses de provas presenciais e online, além de entrevistas e quatro fases de avaliação, Rafael ficou entre os dez paranaenses finalistas e conquistou a medalha de ouro. O resultado garantiu a vaga para representar o Brasil na competição internacional.
Na IOAI, o país conquistou uma medalha de prata, duas de bronze e uma menção honrosa nas disputas individuais. Nas provas por equipes, o Brasil ficou em primeiro lugar na categoria AI-Native Robotics. Para Rafael, o resultado também mudou a forma como ele enxerga as próximas oportunidades. “É muito inspirador, a experiência foi bem enriquecedora e gratificante. Me sinto motivado a participar de outras competições que descobri. É um mundo novo.”



