O ronco em crianças não é considerado normal. Pode até aparecer de forma passageira durante uma congestão nasal, mas quando é frequente precisa ser investigado por um especialista — afinal, dormir bem é essencial para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança, e qualquer obstrução das vias aéreas durante o sono pode comprometer esse descanso.
“Se seu filho ronca com frequência, apresenta pausas na respiração, sono agitado ou qualquer alteração durante o descanso, procure avaliação com um otorrinolaringologista pediátrico. Dessa forma, o diagnóstico precoce permite identificar a causa do problema e iniciar o tratamento adequado, contribuindo para um desenvolvimento saudável e mais qualidade de vida para a criança”, orienta a otorrinolaringologista pediátrica Juliana Benthien Cavichiolo, do Hospital Pequeno Príncipe.
Quando o ronco é preocupante?
Os pais devem ficar atentos se a criança roncar com frequência, especialmente fora dos períodos de gripe ou resfriado. Alguns sinais indicam a necessidade de avaliação com um otorrinolaringologista pediátrico:
- Ronco quase todas as noites
- Respiração pela boca durante o sono
- Sono agitado e com esforço para respirar
- Pausas na respiração ao longo do sono
Pausas na respiração durante o sono são um sinal de alerta importante, já que podem indicar apneia obstrutiva do sono (AOS), condição em que a passagem do ar é interrompida repetidamente durante o descanso.
Principais causas do ronco em crianças
A causa mais comum é o aumento das amígdalas e da adenoide, estruturas que podem obstruir parcialmente a passagem do ar durante o sono. Rinite alérgica, desvio de septo e alterações na mordida e no desenvolvimento da face também podem estar relacionados. Por isso, cada criança precisa ser avaliada individualmente para identificar a origem do problema.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada e exame físico feito pelo otorrinolaringologista pediátrico. Quando necessário, podem ser solicitados exames como nasofibroscopia e raio-X de cavum, que na maioria dos casos já são suficientes para identificar a causa da obstrução e definir o tratamento.
A cirurgia é indicada quando há quadro obstrutivo associado ao aumento das amígdalas ou da adenoide. Nesses casos, a retirada dessas estruturas costuma trazer melhora significativa na respiração durante o sono e na qualidade de vida da criança — mas a indicação sempre depende de avaliação médica individualizada.
Quais os prejuízos do ronco não tratado
Quando não tratado, o ronco associado à obstrução das vias aéreas pode afetar diversas áreas do desenvolvimento infantil:
- Alterações no crescimento e ganho de peso
- Dificuldade de aprendizado, atenção e memória
- Prejuízo no desenvolvimento neuropsicológico
- Alterações no desenvolvimento da face e mordida
- Comprometimento cardíaco e pulmonar nos casos mais graves
Por isso, identificar e tratar o problema precocemente faz toda a diferença para a saúde da criança.



