A Geração Z, conhecida por ter crescido em meio à internet, às redes sociais e às novas tecnologias, também aparece no centro de um alerta de saúde pública no Brasil.
Uma pesquisa do A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, aponta que 19% dos jovens entre 16 e 24 anos se declaram fumantes ativos. O índice considera tanto cigarros convencionais quanto eletrônicos e é o maior entre as faixas etárias analisadas.
O percentual supera a média nacional de 17% e também os índices registrados entre outros grupos. Entre brasileiros de 25 a 40 anos, 15% se declaram fumantes, enquanto a taxa chega a 17% entre pessoas de 41 a 59 anos. Entre aqueles com 60 anos ou mais, o índice é de 16%.
O levantamento ouviu 2.015 pessoas nas 27 unidades da Federação, entre 25 e 30 de junho de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais.

A moda dos Vapes
Apesar da queda na experimentação do cigarro tradicional entre adolescentes, os cigarros eletrônicos avançaram de forma significativa. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostram que a proporção de estudantes de 13 a 17 anos que já experimentaram cigarro convencional caiu de 22,6% em 2019 para 18,5% em 2024.
No caminho contrário, a experimentação de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes e pods, subiu de 16,8% para 29,6% no mesmo período. Para especialistas, a mudança indica que o combate ao tabagismo entre os jovens enfrenta um novo desafio: a popularização dos dispositivos eletrônicos.
A preocupação também está relacionada à percepção de que o vape seria menos prejudicial que o cigarro convencional. Segundo o oncologista Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo, as redes sociais passaram a ter um papel importante na exposição dos jovens a conteúdos relacionados ao consumo de nicotina.
Além disso, o especialista alerta para a dificuldade de identificar conteúdos que estimulam o consumo. Diferentemente das campanhas tradicionais de publicidade, a exposição nas redes pode ocorrer de maneira indireta, por meio de vídeos e publicações direcionadas pelos próprios algoritmos das plataformas.
Dependência pode acompanhar jovens por décadas
O início do consumo de nicotina durante a juventude preocupa especialistas porque pode aumentar a dificuldade de abandonar o hábito posteriormente. A manutenção de uma parcela elevada de fumantes entre os mais jovens também pode representar impactos futuros para o sistema público de saúde, já que o tabagismo está relacionado a doenças respiratórias, cardiovasculares e diversos tipos de câncer.
A pesquisa do A.C.Camargo ainda mostra que 37% dos jovens de 16 a 24 anos convivem frequentemente com pessoas que fumam, seja em casa ou no trabalho. Considerando toda a população brasileira, o índice de exposição frequente ao fumo passivo é de 33%. Na região Sul, chega a 41%, o maior percentual entre as regiões analisadas.
O cenário chama atenção justamente porque ocorre após décadas de redução do tabagismo no país. Para o Ministério da Saúde, os dados são preocupantes, e ações de prevenção entre crianças e adolescentes continuam sendo realizadas, inclusive por meio do Programa Saúde na Escola.



