A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) informou, na tarde deste domingo (30), por meio de nota oficial, que Marcos Silas morreu por suicídio dentro do Presídio Federal de Brasília, onde estava preso. A defesa contesta a versão e afirma que Silas havia declarado diversas vezes a Claudio Dalledone Junior que jamais cometeria suicídio. Dalledone também afirma que Silas havia relatado recentemente ao Gaeco do Paraná que alguns agentes públicos estariam frequentando a unidade e fazendo ameaças a ele e à família.
Marcos Silas foi encontrado morto na manhã deste domingo (30), dentro da cela. Segundo a Senappen, ele foi localizado desacordado durante a primeira rotina de revista e entrega de alimentação da unidade. A morte foi confirmada depois do atendimento médico. A secretaria informou que os procedimentos legais foram acionados.
A defesa de Marcos Silas é feita por Claudio Dalledone Junior, que também atua na defesa de Thais Cardoso da Silva, companheira de Marcos Silas, que está presa no sistema penitenciário federal.
Defesa contesta versão de suicídio
Dalledone divulgou uma nota nesta tarde e afirma que Marcos Silas havia deixado claro diversas vezes que não cometeria suicídio. Segundo a defesa, ele dizia que, caso algo acontecesse com ele, seria possível considerar a possibilidade de uma simulação.
Na nota, Dalledone afirma que Marcos Silas havia relatado recentemente ao Gaeco do Paraná que alguns agentes públicos estariam frequentando a unidade prisional, fazendo ameaças contra ele e familiares. Segundo a defesa, essas ameaças teriam como objetivo dissuadi-lo de relatar informações sobre supostos casos de corrupção e extorsão que, de acordo com o relato apresentado por Silas, teriam ocorrido antes da transferência dele para o sistema penitenciário federal e também posteriormente.
Ainda de acordo com Dalledone, Marcos Silas teria procurado denunciar a presença desses agentes externos dentro da unidade para que outros servidores e presos soubessem do que estaria acontecendo. A defesa afirma que o episódio foi tratado pela penitenciária como um surto psicótico e que, depois disso, Silas teria recebido medicamentos psiquiátricos e permanecido por alguns dias em uma estrutura de acrílico transparente, sob vigilância.

É importante reforçar que essas afirmações constam na nota divulgada pela defesa e não foram apresentadas como conclusões de uma investigação oficial. Dalledone também questiona as condições de custódia e o uso de medicamentos psiquiátricos no sistema penitenciário federal. Segundo a defesa, Marcos Silas enfrentava sofrimento mental relacionado ao período de isolamento e aos efeitos dos medicamentos.
A defesa afirma que vai pedir a realização de exames toxicológicos e autópsia para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se o que foi apontado como suicídio pode ter ocorrido de outra maneira ou ter sido provocado por terceiros.
Investigação
Marcos Silas, de 42 anos, estava preso desde 2021 e era apontado como uma das principais lideranças do chamado Cartel do Sul. Ele havia integrado o Primeiro Comando da Capital (PCC) antes de romper com a facção e passou a ser investigado por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Ele foi preso em São Paulo e posteriormente transferido para o sistema penitenciário federal. Primeiro, ficou em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e depois foi levado para Brasília, onde foi encontrado morto neste domingo.



