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Ponte Preta entra em greve por salários atrasados e ameaça W.O. na Série B

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O time da Ponte Preta entrou em greve por tempo indeterminado na quarta-feira (26), após o prazo dado à diretoria para o pagamento de salários e direitos de imagem atrasados terminar sem acordo. Os jogadores não treinaram no CT do Jardim Eulina e, com a paralisação, o clube passou a enfrentar o risco de não ter atletas para a partida contra o América-MG, domingo (30), em Belo Horizonte, pela 25ª rodada da Série B.

Segundo os advogados que representam os jogadores, há casos de atletas com até seis meses de valores em atraso. O elenco reúne 27 jogadores. A cobrança foi formalizada à diretoria e o grupo condiciona a retomada das atividades ao pagamento das pendências.

A defesa dos atletas afirma que a paralisação tem respaldo na Lei Geral do Esporte. O artigo 90, parágrafo 5º, permite ao jogador profissional se recusar a competir quando houver atraso salarial de dois meses ou mais.

Crise financeira

A crise da Ponte Preta se agravou desde a temporada passada. Mesmo com salários atrasados, o clube conquistou o título da Série C e o acesso à segunda divisão em 2025. As dificuldades financeiras, porém, continuaram e as dívidas acumuladas chegaram a cerca de R$ 320 milhões.

Em 2026, o clube ainda sofreu punições da Fifa por dívidas com outros clubes e jogadores e ficou impedido de registrar novos atletas. A equipe terminou o Campeonato Paulista na última colocação, com apenas um ponto, e foi rebaixada para a Série A2.

Jogadores deixam o CT da Ponte Preta na tarde de quarta-feira, 26, em greve e com salários atrasados

Na Série B, a situação continuou. Mais de 15 jogadores deixaram o clube após rescindirem os contratos por causa dos atrasos. Entre eles estão David Braz e William Pottker.

A Ponte também contratou jogadores durante a temporada, mas não conseguiu retirar os bloqueios impostos pela Fifa. Os reforços ficaram sem condições de jogo e alguns deixaram o clube sem disputar uma partida.

A negociação da SAF

A greve ocorreu dois dias depois de uma Assembleia Geral Extraordinária que discutiria a venda do futebol da Ponte Preta para uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

A proposta apresentada previa R$ 1 bilhão, sendo R$ 300 milhões para o pagamento de dívidas, R$ 300 milhões para o futebol e R$ 400 milhões para infraestrutura. Um aporte emergencial era esperado para o pagamento dos salários dos jogadores.

A assembleia, no entanto, terminou em confusão e foi suspensa após decisões judiciais obtidas pela oposição. Sem a aprovação do negócio, o dinheiro não foi liberado e o prazo estabelecido pelos jogadores terminou.

Técnico deixa o clube

A paralisação também provocou mudanças no comando da equipe. O técnico Márcio Zanardi deixou o cargo na quarta-feira. Sob seu comando, a Ponte perdeu dez dos 12 jogos disputados.

O time não vence há 18 partidas, tem dez pontos em 24 rodadas e ocupa a última colocação da Série B. Na rodada anterior, perdeu por 6 a 0 para o Vila Nova.

A diretoria, porém, afirma que a Ponte Preta vai disputar a partida de domingo contra o América-MG e descarta a possibilidade de W.O. A alternativa estudada é utilizar jogadores das categorias de base ou atletas emprestados cujos salários são pagos pelos clubes de origem.

A situação ainda deve ser definida até o fim da semana.