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De volta ao mar: 9 pinguins são soltos no litoral do Paraná após reabilitação

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Nove pinguins-de-Magalhães foram devolvidos ao oceano nesta terça-feira (11), no litoral do Paraná, após passarem por um processo de reabilitação no Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde da Fauna Marinha (CReD), do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Os animais foram resgatados durante a temporada de inverno pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado no litoral paranaense pelo LEC/UFPR. Antes da soltura, os pinguins receberam atendimento veterinário e permaneceram sob cuidados da equipe especializada até apresentarem condições adequadas para retornar à natureza.

9 pinguins-de-Magalhães são soltos no Paraná. (Foto: LEC/UFPR)

Paraná já registrou quase 200 pinguins encalhados

Os pinguins-de-Magalhães chegam todos os anos ao litoral brasileiro entre maio e setembro, durante o período de migração em busca de alimento. A espécie se reproduz na região da Patagônia, entre Argentina e Chile, e percorre milhares de quilômetros pelo Atlântico Sul.

“Os pinguins normalmente chegam debilitados, com baixo escore corporal, desidratação, hipotermia e necessitando de cuidados intensivos para seguir com a migração. Além disso, durante os atendimentos também identificamos casos relacionados à interação com atividades humanas, como marcas de emalhe em redes de pesca”, explica a veterinária Juliana Bresciani.

A maior parte dos animais que chegam à costa brasileira é formada por indivíduos jovens, que estão realizando a primeira grande migração. Durante a viagem, eles podem chegar às praias debilitados pelo desgaste da jornada e também sofrer impactos provocados pela atividade humana.

Segundo dados do PMP-BS, entre 31 de maio e 31 de julho, foram registrados 198 pinguins-de-Magalhães encalhados no litoral do Paraná. Deste total, 165 foram encontrados mortos, enquanto 33 chegaram vivos e foram encaminhados para atendimento especializado.

Animais chegam debilitados após longa migração

Os pinguins encontrados vivos geralmente apresentam sinais de debilidade, como baixo peso, desidratação e hipotermia. Alguns também apresentam ferimentos ou marcas relacionadas à interação com atividades humanas, como o contato com redes de pesca.

O atendimento começa ainda na praia, com uma avaliação inicial das condições do animal. A partir dessa análise, os profissionais responsáveis orientam os primeiros cuidados e encaminham os pinguins que precisam de tratamento ao centro de reabilitação.

No CReD, os animais passam por acompanhamento veterinário e recebem cuidados até recuperarem as condições necessárias para sobreviver novamente no ambiente natural.

Pinguins-de-Magalhães são soltos no Paraná (Foto: LEC/UFPR)

Soltura acontece em grupo

A devolução dos nove pinguins ao oceano foi realizada em grupo. A estratégia está relacionada ao comportamento natural da espécie, que é gregária, ou seja, vive e se desloca em agregações.

Durante a migração, permanecer em grupo pode favorecer a proteção contra predadores, auxiliar na busca por alimento e diminuir alguns dos riscos enfrentados pelos animais durante a jornada.

A soltura também representa uma das etapas finais de um trabalho que envolve monitoramento das praias, resgate, atendimento veterinário, reabilitação e pesquisa sobre a fauna marinha.

Temporada de pinguins exige atenção nas praias

A presença de pinguins-de-Magalhães no litoral do Paraná é esperada durante os meses mais frios do ano. Por isso, moradores e turistas podem encontrar animais da espécie nas praias durante o período de migração.

No entanto, encontrar um pinguim na areia não significa necessariamente que ele esteja em condições de retornar ao mar sozinho. Animais debilitados podem precisar de atendimento especializado.

O monitoramento realizado pelo PMP-BS permite identificar esses casos e encaminhar os animais para avaliação, aumentando as chances de recuperação daqueles que chegam vivos à costa.

Projeto monitora praias do litoral paranaense

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

No Paraná, a execução do projeto no Trecho 6 é realizada pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, responsável pelo monitoramento da costa, resgate e atendimento de animais marinhos encontrados vivos ou mortos.