O caso da mulher de 27 anos resgatada de cárcere privado em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, serve de alerta para outras vítimas de violência doméstica e reforça a importância de buscar ajuda, disse a secretária da Mulher da cidade de Colombo, Gecielle Schena. Mantida sob controle constante do companheiro por cerca de um ano e três meses, a vítima conseguiu pedir socorro por meio de um e-mail enviado à Ouvidoria da Mulher do município.
Segundo o relato apresentado à polícia, a mulher era monitorada por câmeras de segurança dentro da própria casa, tinha as redes sociais e ligações telefônicas acompanhadas pelo companheiro e não podia escolher as próprias roupas. Ela também contou que os celulares eram quebrados pelo homem e que era impedida de sair da residência.

O pedido de ajuda foi encaminhado à equipe do programa Rede Delas, que conseguiu estabelecer contato com a vítima e acionou a Patrulha Maria da Penha. A mulher foi localizada e retirada da residência junto com o filho, de quatro meses. Os dois foram encaminhados para um local seguro, onde recebem atendimento e acolhimento especializado.
“A história dessa mulher serve como um alerta e também como um incentivo para que outras vítimas não permaneçam em silêncio e busquem ajuda”, afirma a secretária da Mulher da cidade de Colombo, Gecielle Schena.
Pedido de socorro foi feito por e-mail
Segundo a polícia, a mulher teria conseguido acessar um computador que tinha à disposição dentro de casa e produzido um e-mail relatando todos os episódios de violência que vinha sofrendo nos últimos meses. Para isso, ela recorreu à Ouvidoria da Mulher de Colombo porque, segundo o próprio relato, não conseguia utilizar livremente o telefone ou as redes sociais. O serviço havia sido criado cerca de um mês antes e era divulgado em cartazes instalados em prédios públicos e ônibus do município.
Na mensagem enviada à polícia, ela relatou episódios de agressão e ameaças durante o período em que esteve sob controle do companheiro. Segundo a vítima, as agressões ocorreram inclusive quando ela estava com a filha bebê no colo e durante a amamentação. A identidade da mulher e do suspeito não foi divulgada pelas autoridades para preservar a segurança da vítima.
Casa tinha câmeras e janelas com grades
De acordo com a Polícia Militar, a residência onde a mulher era mantida tinha três câmeras de segurança. Uma delas ficava na entrada, outra no corredor e a terceira estava direcionada para a porta dos fundos. As janelas tinham grades de ferro e, conforme o relato da vítima, somente o companheiro tinha a chave da porta da residência. A mulher também contou aos policiais que o homem monitorava suas ligações e redes sociais, dificultando que ela procurasse ajuda.

Suspeito foi preso em flagrante
O homem foi preso em flagrante na tarde de sexta-feira (7). Conforme a Polícia Militar, ele foi autuado por cárcere privado, dano e violência psicológica. Ainda segundo a polícia, o suspeito possui outros registros relacionados a violência doméstica e ameaça, de 2020 e 2022. Em uma dessas ocorrências, uma vítima obteve uma medida protetiva contra ele. O homem permanece preso. O Ministério Público do Paraná pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.A vítima e o filho foram encaminhados para um local seguro e recebem acompanhamento especializado. Medidas protetivas de urgência também foram solicitadas.
Caso reforça importância da rede de proteção
Para a Secretaria da Mulher, o caso também evidencia a importância da existência de canais que permitam às vítimas pedir ajuda mesmo quando estão sob vigilância do agressor.
A mulher conseguiu utilizar um serviço recém-criado no município e, a partir da mensagem enviada por e-mail, foi possível estabelecer uma comunicação segura, acionar a Patrulha Maria da Penha e retirar a vítima e o bebê da situação de violência.
A orientação das autoridades é para que mulheres que estejam sofrendo violência procurem os serviços da rede de proteção e busquem ajuda sempre que houver uma oportunidade segura. O caso também reforça que a violência doméstica pode envolver não apenas agressões físicas, mas ameaças, controle, isolamento, vigilância e restrição da liberdade.



