O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou, nesta quinta-feira (27), a segunda fase da Operação Homens de Bem, que investiga suposta fraude em licitações de pavimentação asfáltica em Pato Branco, no Sudoeste do Estado.
Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos na cidade, tendo como alvos o presidente da Câmara Municipal e uma servidora comissionada da Prefeitura. As ordens foram expedidas pelo Juízo de Garantias da Vara Criminal.
A ação foi conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Pato Branco, com apoio operacional do Núcleo de Francisco Beltrão do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Durante as buscas, dispositivos eletrônicos e documentos foram apreendidos e passarão por perícia.
Como funcionava a suposta fraude
Segundo o MPPR, empresas dos setores de pavimentação asfáltica e engenharia civil estariam articuladas para fraudar a concorrência em licitações milionárias do Município. A estratégia envolveria a doação de projetos de pavimentação ao poder público, que depois licitava a execução das obras — vencidas, de forma recorrente, por empresas do mesmo grupo investigado.
Parte dessas doações seria fictícia, segundo as apurações. Pessoas físicas teriam assinado os documentos sem contratar de fato os serviços técnicos de elaboração dos projetos, supostamente a pedido da servidora comissionada e do atual presidente da Câmara, apontados pela investigação como responsáveis por intermediar as doações simuladas.
Contratos suspensos pela Justiça
O Tribunal de Justiça do Paraná manteve, recentemente, decisão liminar que suspendeu diversos contratos firmados entre as empresas investigadas e o Município de Pato Branco. A decisão também proíbe as empresas e seus representantes legais de contratar com a Prefeitura, direta ou indiretamente, inclusive por meio de terceiros.
Continuação da operação deflagrada em julho
A Operação Homens de Bem teve sua primeira fase em 30 de julho, quando o MPPR cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em Pato Branco, Francisco Beltrão, Vitorino, Curitiba e Coronel Vivida, prendeu um empresário e afastou um servidor da Prefeitura. Esta nova etapa amplia as investigações à Câmara Municipal e ao alto escalão do Executivo.
Por que o nome “Homens de Bem”
De acordo com o Ministério Público, o nome da operação faz referência ao suposto altruísmo alegado pelos empresários investigados, que teriam doado os projetos de pavimentação ao poder público para, na prática, favorecer suas próprias empresas nas licitações.
O Portal Populari entrou em contato com a Câmara Municipal e a Prefeitura de Pato Branco, mas eles ainda não se manifestaram.



