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Marcos Silas é encontrado morto em presídio federal de Brasília

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O narcotraficante Marcos Silas Neves de Souza, o Marcos Silas, apontado como um dos principais traficantes de cocaína do Brasil, foi encontrado morto na manhã deste domingo, no Presídio Federal de Brasília, onde estava preso desde 2021. A informação foi dada em primeira mão pelo jornalista Leandro Sant´Ana, do Grupo Bandeirantes, em São Paulo.

O advogado de defesa de Marcos Silas, Claudio Dalledone Junior, confirmou ao Portal Populari a morte do narcotraficante. Ainda não há informações sobre a causa da morte de Marcos Silas.

“Criador de rotas internacionais”

Marcos Silas é apontado como um dos principais articuladores das rotas internacionais de cocaína via Porto de Paranaguá. O narcotraficante foi integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e organizou um sofisticado esquema de embarque clandestino de cocaína em contêineres e navios no porto paranaense.

É atribuída a ele também a organização da estrutura empresarial e financeira para lavagem de dinheiro da cocaína “exportada” pelo PCC a partir de Paranaguá. Da criação e abertura de empresas de importação e exportação com sede em Paranaguá à compra de imóveis de luxo e ao uso de laranjas, Silas foi o responsável pela lavagem de centenas de milhões de reais do PCC.

Marcos Silas foi encontrado morto no Presídio Federal de Brasilia, uma unidade de segurança máxima

Cartel do Sul

Marcos Silas saiu do PCC para criar seu próprio cartel de drogas, o Cartel do Sul, apontado como o primeiro cartel internacional de drogas do Paraná. À frente do Cartel do Sul, Silas dominou o Porto de Paranaguá e construiu uma aliança com o Comando Vermelho no Paraná. A coalizão resultou em uma guerra contra integrantes do PCC na região, o que até hoje mantém o município de Paranaguá como o mais violento do estado e um dos mais violentos do país.

De chapeiro a traficante milionário

Marcos Silas Neves de Souza teve uma infância e uma juventude comuns. Filho de uma família de classe média baixa de Curitiba, Silas saiu cedo de casa para dividir um apartamento no centro com amigos. O endereço era próximo à Praça Carlos Gomes. Trabalhava o dia todo como balconista e chapeiro em uma lanchonete tradicional da região da Vicente Machado, conhecida por seus salgados assados.

O Portal Populari ouviu um dos amigos que dividiu apartamento com Marcos Silas na juventude. Segundo o homem, que pediu para não ser identificado, Silas era conhecido apenas como Marcos, ou Marquinhos para os mais próximos. Trabalhador, dividia-se entre o trabalho na lanchonete e os bicos em bares da região do centro. “Era um cara alegre, saía cedo e só voltava à noite. Trabalhava muito. Era bom de negócio, bom de atender o público”, recorda o amigo.

Segundo ele, no tempo em que viveu no apartamento, Marcos nunca deu indícios de que se tornaria um criminoso. “Quando eu vi as notícias, na época da prisão dele, em 2021, eu fiquei assustado. Nunca imaginei que o Marcos que eu conhecia seria aquele cara preso, na TV”, contou.

Em 2021, quando foi preso no estado de São Paulo, Silas tinha em seu nome 260 imóveis e levava uma vida de luxo. O narcotraficante chegou a passar por procedimentos cirúrgicos para mudar a aparência e, assim, despistar as autoridades.

Guerra entre facções

Documentos e investigações da Justiça mostram que o Cartel do Sul, liderado por Marcos Silas, passou a disputar violentamente o Porto de Paranaguá contra o PCC. Para travar essa guerra, formou aliança com os principais rivais da facção paulista, o Primeiro Grupo Catarinense (PGC) e o Comando Vermelho, para fornecer armas e ordenar a execução de membros do PCC.

A coalizão formada entre Cartel do Sul, PGC e Comando Vermelho mudou até mesmo a dinâmica de custódia dos presos por tráfico de drogas no estado. Na Grande Curitiba, por exemplo, integrantes das facções aliadas ao Cartel do Sul eram enviados para a Casa de Custódia de São José dos Pinhais.

Suspeita de corrupção

E foi cumprindo pena na Casa de Custódia de São José dos Pinhais que Marcos Silas teria operado um dos maiores esquemas de corrupção envolvendo o departamento penitenciário do estado do Paraná. De acordo com relatórios de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Paraná e investigações do Gaeco, o ex-diretor-geral do Deppen-PR, Francisco Alberto Caricati, foi apontado como suspeito de receber um suborno de R$ 1 milhão para conceder privilégios a Marcos Silas Neves de Souza dentro da Casa de Custódia de São José dos Pinhais (CCSJP).

A denúncia indica que, entre 2021 e 2022, o dinheiro teria sido utilizado para garantir regalias ao traficante, como livre trânsito entre celas e acesso a celulares, além de articular manobras administrativas para adiar e evitar a sua transferência para um presídio federal de segurança máxima.

Causa da morte

As causas da morte de Marcos Silas dentro do Presídio Federal de Segurança Máxima do Distrito Federal serão investigadas por autoridades federais. O advogado Claudio Dalledone Junior deve ir a Brasília nos próximos dias para apurar os fatos relacionados à morte de Marcos Silas Neves de Souza.