Um lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) ganhou uma nova chance de voltar à natureza, e agora terá seus passos acompanhados pela ciência. Após passar por um processo de reabilitação, o animal foi devolvido ao oceano equipado com um transmissor via satélite que permitirá aos pesquisadores monitorar seus deslocamentos pelo litoral brasileiro. A soltura foi realizada pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).
O lobo-marinho, um macho juvenil de aproximadamente 1,20 metro de comprimento e 18 quilos, foi encontrado debilitado no balneário Shangri-lá, em Pontal do Paraná, durante uma ação de monitoramento da equipe. Após avaliação inicial, ele foi encaminhado ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD), onde recebeu tratamento até estar apto para retornar ao habitat natural.

Reabilitação antes da volta ao oceano
Durante o período de recuperação, o animal passou por atendimento veterinário, alimentação controlada, exames clínicos e monitoramento constante para garantir que recuperasse as condições necessárias para sobreviver sozinho na natureza.
Além dos cuidados médicos, os pesquisadores realizaram a identificação individual do lobo-marinho por meio de um microchip e de um brinco de identificação fixado na nadadeira torácica, o que permitirá reconhecer o animal caso ele seja avistado novamente.
Segundo o médico-veterinário e responsável técnico pelo PMP-BS/LEC-UFPR, Fábio Henrique Lima, a soltura só acontece quando há segurança de que o animal conseguirá sobreviver sem auxílio humano.
“O processo de reabilitação é individualizado e busca garantir que o animal recupere plenamente suas condições de saúde para retornar ao oceano. A soltura só é realizada quando confirmado que o paciente está apto para sobreviver de forma independente no ambiente natural.”
Rastreador ajuda pesquisadores a entender comportamento da espécie
Antes de voltar ao mar, o lobo-marinho recebeu um transmissor via satélite de aproximadamente 140 gramas. O equipamento, desenvolvido especialmente para mamíferos marinhos, é fixado na pelagem e não interfere na movimentação ou no comportamento do animal. Após um período, o dispositivo se desprende naturalmente.
A tecnologia permitirá que os pesquisadores acompanhem os deslocamentos do animal e obtenham informações inéditas sobre as rotas, áreas de descanso e permanência da espécie na costa brasileira durante o inverno.
De acordo com a bióloga e gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR, Liana Rosa, apesar de o lobo-marinho-sul-americano ser um dos pinípedes mais registrados no litoral paranaense, ainda existem muitas lacunas sobre seu comportamento.
“A telemetria nos permitirá acompanhar esse indivíduo e ampliar o conhecimento sobre o comportamento da espécie, gerando informações que poderão subsidiar futuras ações de conservação.”
Esta é a segunda soltura de um pinípede monitorado por satélite realizada pela equipe do LEC-UFPR em 2026. Em janeiro, um filhote de elefante-marinho-do-sul também foi reabilitado e devolvido ao oceano utilizando a mesma tecnologia.
Espécie costuma aparecer no litoral brasileiro durante o inverno
O lobo-marinho-sul-americano possui colônias reprodutivas na Argentina, no Uruguai e no sul do Chile. Durante o inverno, especialmente os indivíduos jovens percorrem longas distâncias e utilizam praias do Sul e do Sudeste do Brasil como áreas temporárias de descanso enquanto buscam alimento.
Os pesquisadores alertam que o animal poderá ser visto novamente em praias do Paraná, comportamento considerado natural. Caso isso aconteça, a orientação é manter distância, não tentar alimentá-lo ou tocá-lo e evitar a aproximação de animais domésticos, acionando imediatamente a equipe responsável pelo monitoramento.



