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Do rádio à televisão: Laura Cardoso deixa uma história de oito décadas na dramaturgia

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A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos nesta terça-feira (18), em São Paulo, deixando uma das trajetórias mais longevas e respeitadas da dramaturgia brasileira. Com mais de oito décadas de carreira, ela passou pelo rádio, teatro, cinema e televisão e participou de mais de 60 novelas, além de dezenas de outras produções.

Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, Laura começou a carreira ainda adolescente, no rádio. Antes mesmo de a televisão se popularizar no Brasil, ela já trabalhava como radioatriz. Em 1952, aos 24 anos, estreou na recém-inaugurada TV Tupi, no programa Tribunal do Coração, tornando-se uma das pioneiras da televisão brasileira.

Laura Cardoso morre aos 98 anos em São Paulo. (Foto: Divulgação)

Do rádio para a televisão

Nos primeiros anos da televisão brasileira, Laura Cardoso participou de teleteatros e novelas que ainda tinham um formato bem diferente do modelo que se consolidaria posteriormente. Entre as décadas de 1960 e 1970, passou por produções da TV Tupi e da TV Record, construindo uma carreira marcada pela versatilidade.

Na TV Record, participou de novelas como As Pupilas do Senhor Reitor e Os Deuses Estão Mortos. Depois, retornou à TV Tupi e permaneceu na emissora até seu fechamento, em 1980. No ano seguinte, iniciou uma nova fase profissional ao ser contratada pela TV Globo, onde estreou em Brilhante, de Gilberto Braga.

Personagens que ficaram na memória

Ao longo das décadas, Laura Cardoso interpretou personagens de diferentes perfis e gêneros. Entre os trabalhos mais lembrados estão ** Mulheres de Areia, A Viagem, Explode Coração, Caminho das Índias, Gabriela e Sol Nascente**.

Em Mulheres de Areia, de 1993, viveu Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, interpretadas por Glória Pires. No ano seguinte, esteve em A Viagem, como Dona Guiomar, outro papel que marcou a televisão brasileira.

Já em Sol Nascente, exibida em 2016, Laura interpretou Dona Sinhá, uma personagem que surpreendeu o público ao revelar uma faceta de vilã. O papel também ganhou destaque pela capacidade da atriz de subverter a imagem tradicionalmente associada a personagens idosas.

Uma carreira também no cinema e no teatro

Embora tenha se tornado especialmente conhecida pela televisão, Laura Cardoso nunca ficou restrita às novelas. O teatro foi uma parte importante de sua trajetória, com sua estreia nos palcos ocorrendo em 1959, na peça Plantão 21, dirigida por Antunes Filho.

No cinema, também participou de diversas produções. Sua carreira recebeu reconhecimento com prêmios importantes, incluindo três estatuetas do Grande Otelo, além da Ordem do Mérito Cultural, recebida em 2006, e do Troféu Oscarito, no Festival de Gramado.

Últimos trabalhos

A última novela de Laura Cardoso foi ** A Dona do Pedaço, em 2019**, quando interpretou Matilde. Mesmo afastada das novelas, a atriz continuou sendo lembrada pelo público e participou de outros projetos.

Em 2025, esteve no filme Dona Rosinha. Já em 2026, voltou a aparecer na televisão por meio da reprise de Rainha da Sucata, exibida no Vale a Pena Ver de Novo.

Em 2025, Laura também recebeu uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, reconhecimento à importância de sua trajetória para a dramaturgia brasileira.

Com uma carreira que atravessou diferentes gerações e praticamente toda a história da televisão brasileira, Laura Cardoso deixa um legado que vai muito além das dezenas de novelas e personagens. A atriz ajudou a construir a própria história da dramaturgia nacional, desde os primeiros anos da televisão até as produções contemporâneas.