Uma operação da polícia paraguaia prendeu dois homens e apreendeu um adolescente suspeitos de participação em uma série de roubos praticados contra vítimas atraídas por meio de aplicativos de relacionamento. A investigação aponta que o grupo utilizava o aplicativo Grindr para marcar encontros e, depois, levar as vítimas para locais onde eram rendidas.
O caso ganhou atenção na região de fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, onde brasileiros estão entre as vítimas. A estratégia já havia sido identificada em outras ocorrências registradas no Paraguai, com criminosos utilizando aplicativos de relacionamento para atrair estrangeiros ao país.

Como funcionava o golpe?
Segundo relatos reunidos durante as investigações, os criminosos iniciavam o contato pelo aplicativo e combinavam um encontro em Ciudad del Este. Em alguns casos, a própria vítima recebia a indicação de um suposto mototaxista para fazer o transporte até o local combinado.
Depois de atravessar a fronteira, a vítima era levada para regiões mais isoladas. No bairro San Rafael, por exemplo, relatos apontam que homens armados aguardavam as vítimas e realizavam os roubos.
Em alguns casos, os criminosos mantinham as vítimas sob ameaça durante horas e exigiam acesso a celulares e contas bancárias, permitindo a realização de transferências e o saque de valores.
Vítimas brasileiras
Um caso registrado em julho envolveu um brasileiro que estava hospedado em Foz do Iguaçu e atravessou a fronteira para encontrar uma mulher que havia conhecido pelo aplicativo. Ao chegar ao Paraguai, ele teria sido levado de moto até o bairro San Rafael, onde encontrou homens armados.
Segundo o relato prestado à Polícia Nacional do Paraguai, a vítima permaneceu sob poder dos criminosos até a manhã seguinte. Foram levados um iPhone, uma corrente avaliada em R$ 5 mil e R$ 15 mil das contas bancárias.
O Ministério Público paraguaio também investiga casos semelhantes registrados na região.
Polícia alerta para encontros pela internet
As ocorrências reforçam o alerta para os riscos de marcar encontros com pessoas conhecidas exclusivamente pela internet, especialmente quando o encontro envolve atravessar uma fronteira ou se deslocar para locais desconhecidos.
A recomendação é priorizar locais públicos e movimentados, compartilhar a localização com pessoas de confiança e evitar aceitar transportes indicados por desconhecidos.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do grupo e esclarecer a participação de cada suspeito nos crimes.



