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Gaeco mira policiais rodoviários em operações no Paraná

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O Gaeco, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, deflagrou na manhã desta quinta-feira (13) a segunda fase da Operação Via Pix, que investiga possíveis crimes de concussão, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e constituição de organização criminosa supostamente cometidos por policiais rodoviários estaduais nos Campos Gerais e no Norte Pioneiro.

As operações são a segunda fase da Operação Rota 466, conduzida pelo Núcleo de Guarapuava, e a Operação Via Pix, do Núcleo de Ponta Grossa. As investigações apuram suspeitas de cobrança de propina de motoristas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Rota 466 amplia cerco a policiais

Na segunda fase da Operação Rota 466, o Núcleo de Guarapuava do Gaeco cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, três mandados de busca pessoal, um mandado de prisão e medidas de arresto de bens e contas bancárias.

As ordens foram cumpridas em Guarapuava, Imbituva, Ponta Grossa, Laranjeiras do Sul, Guaraniaçu e Pitanga.

Segundo o Gaeco, a nova etapa aprofundou a investigação depois que foram encontradas provas relacionadas a possíveis crimes praticados por outros três policiais militares que ainda não haviam sido alvo da primeira fase. Dois deles são policiais rodoviários estaduais.

Dinheiro, celulares e documentos foram apreendidos com os alvos da operação

Os policiais foram afastados das funções operacionais.

De acordo com as investigações, os agentes exigiam propina de motoristas flagrados em infrações de trânsito e de pessoas que trabalhavam com o salvamento de cargas tombadas. Os fatos são investigados como possíveis crimes de concussão, corrupção passiva e lavagem de ativos.

A apuração também identificou pessoas físicas e jurídicas que, segundo o Ministério Público, teriam utilizado suas contas bancárias para lavar valores provenientes das propinas. Esses envolvidos também foram alvo de mandados de busca.

Um ex-comandante do Posto de Polícia Rodoviária de Guarapuava, que já havia sido alvo da primeira fase da operação, foi preso preventivamente.

Segundo o Gaeco, após o início das investigações foram identificados outros possíveis crimes de corrupção atribuídos ao ex-comandante. A apuração aponta que ele teria recebido pelo menos R$ 47 mil em propina e também teria tentado atrapalhar o andamento das investigações e dificultar a obtenção de provas.

Via Pix rastreia pagamentos feitos por motoristas

O Núcleo de Ponta Grossa do Gaeco cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em residências e postos policiais de Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Arapoti, Wenceslau Braz e Siqueira Campos.

As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual, que também determinou o afastamento das funções operacionais de sete policiais rodoviários estaduais e o bloqueio de contas bancárias.

A investigação começou em março de 2025, depois que o Ministério Público recebeu informações do 4º Comando Regional da Polícia Militar. Motoristas profissionais procuraram o comando para relatar que estariam sendo extorquidos por policiais rodoviários na região de Piraí do Sul.

Segundo a investigação, os policiais abordavam motoristas durante fiscalizações em rodovias estaduais, blitzes ou nas proximidades dos postos policiais e exigiam vantagens indevidas sob diferentes pretextos. Em alguns casos, conforme o Gaeco, os veículos só eram liberados após o pagamento.

Os valores poderiam ser entregues em dinheiro ou transferidos por PIX, geralmente para contas vinculadas a empresas e pessoas apontadas nas investigações como possíveis “laranjas”.

A apuração identificou quase uma centena de motoristas que teriam realizado pagamentos por exigência dos policiais. Parte dessas pessoas já foi ouvida durante a investigação.

Investigação aponta R$ 140 mil em PIX

A análise das contas bancárias identificadas até o momento indica que os investigados receberam aproximadamente R$ 140 mil por meio de pagamentos via PIX entre dezembro de 2024 e agosto de 2025.

Segundo o Gaeco, a investigação revelou uma estrutura que envolveria policiais militares, empresas e pessoas físicas na prática de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

As duas operações seguem dentro das investigações conduzidas pelos núcleos do Gaeco de Guarapuava e Ponta Grossa. Os policiais investigados foram alvo das medidas determinadas pela Justiça, e parte deles foi afastada das funções operacionais.