As universidades estaduais de Londrina (UEL) e Maringá (UEM) abriram processos administrativos contra estudantes suspeitos de fraude no Aprova Paraná Universidades. As apurações internas foram instauradas após a investigação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) apontar possíveis irregularidades no ingresso de candidatos ao ensino superior pelo programa. Caso as fraudes sejam confirmadas, os procedimentos podem resultar no cancelamento das matrículas dos estudantes envolvidos, conforme as normas disciplinares de cada instituição.
Ao todo, sete estudantes e uma fiscal de sala são investigados pela Polícia Civil do Paraná. Além da investigação criminal, as universidades passaram a analisar a conduta dos candidatos por meio de processos administrativos próprios.
UEM investiga quatro estudantes suspeitos de fraude
Na Universidade Estadual de Maringá, a administração central confirmou a abertura de processos administrativos disciplinares, que tramitam sob sigilo, contra quatro estudantes que ingressaram na instituição.
Segundo a universidade, após a conclusão das apurações e eventual confirmação das irregularidades, as matrículas poderão ser anuladas.
UEL apura caso de estudante de Medicina
A Universidade Estadual de Londrina também instaurou procedimento contra uma estudante matriculada no curso de Medicina.
A instituição informou que o processo tramita em sigilo porque, na época da realização da prova, a aluna ainda era menor de 18 anos. Enquanto não houver uma decisão definitiva, a estudante permanece frequentando as aulas, respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa.
Investigação aponta uso de celulares durante prova
A abertura dos processos administrativos ocorre após o avanço da investigação criminal conduzida pela Polícia Civil. A apuração teve como desdobramento mais recente a Operação Recabar, deflagrada em 23 de março de 2026, com o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Tapejara, Londrina, Maringá e Ponta Grossa.
Durante as diligências e depoimentos, os candidatos investigados confessaram participação na fraude e relataram à polícia como o esquema teria funcionado. O inquérito é conduzido pelos delegados Taís Mendonça de Melo e Thiago Vicentini de Oliveira.
Segundo a investigação, a fraude teria ocorrido nos dias 25 e 26 de novembro de 2025, durante a aplicação da Prova Paraná Mais, realizada no Colégio Estadual Santana, em Tapejara. Conforme a Polícia Civil, os candidatos teriam entrado na sala de prova com celulares escondidos e utilizado os aparelhos para consultar respostas na internet. Ainda de acordo com o inquérito, as respostas corretas eram anotadas em papéis e compartilhadas entre participantes que estavam no mesmo ambiente. Entre os candidatos investigados, cinco teriam sido aprovados para o curso de Medicina.
Fiscal também é investigada
A investigação também apura a atuação da fiscal responsável pela aplicação da prova. A suspeita é de que ela tenha deixado de impedir o uso dos aparelhos eletrônicos durante o exame. Entre os materiais apreendidos durante a operação estavam dispositivos eletrônicos ligados aos investigados.
Auditoria identificou padrão considerado suspeito
A investigação começou em dezembro de 2025, após o encerramento do processo seletivo. Uma auditoria técnica realizada pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) identificou um padrão considerado estatisticamente improvável nos gabaritos de candidatos que realizaram a prova na mesma sala, em Tapejara. A análise apontou semelhanças atípicas nas respostas dos participantes e levou a secretaria a comunicar o caso oficialmente à Polícia Civil, que instaurou o inquérito.
Desde então, a investigação avançou com análise de dados, coleta de informações, depoimentos e medidas autorizadas pela Justiça. Agora, além da esfera criminal, o caso terá desdobramentos administrativos dentro das universidades, que vão avaliar a permanência dos estudantes investigados nas instituições.



