A morte de uma família inteira dentro de um apartamento no Água Verde, em Curitiba, começou a ser investigada pela Polícia Civil como um possível caso de duplo homicídio seguido de suicídio. Mas, antes de chegar à cena encontrada na tarde de terça-feira (25), a história passa por uma dívida, uma condenação judicial e pela perda do imóvel onde a família morava.
Claudia Hitomi Shimada Furuyama, de 57 anos, era médica pediatra. Marcos Alberto Furuyama, de 50, era engenheiro civil. Rafael Furuyama, de 21, era estudante de Engenharia Mecatrônica. Os três foram encontrados mortos no apartamento da família, na Rua Guilherme Pugsley. A investigação ainda precisa esclarecer o que aconteceu dentro do imóvel e qual foi a motivação.
Um dos pontos que passou a ser analisado é a situação financeira de Marcos. O apartamento havia sido levado a leilão judicial dois meses antes da morte da família.
A dívida
A origem do problema está em um processo judicial iniciado em 2014. A Justiça reconheceu a obrigação de indenizar e, como o pagamento não foi feito, a ação avançou para a fase de cumprimento de sentença. Foi nesse processo que o apartamento onde Marcos morava acabou sendo penhorado. O imóvel, no Água Verde, tinha avaliação de R$ 650 mil. Em 24 de junho de 2026, foi levado a leilão judicial e acabou arrematado por um terceiro .

A ordem para deixar o apartamento
Em 20 de julho, depois que o novo proprietário pediu à Justiça para assumir a posse do imóvel, o juiz determinou que Marcos deixasse o apartamento no prazo de 15 dias. A determinação judicial estabelecia a desocupação do imóvel. A ordem judicial foi finalmente emitida na segunda-feira (24 de agosto), um dia antes de a família ser encontrada morta.
A sequência de datas é um dos elementos que agora fazem parte da investigação: o imóvel foi levado a leilão em junho, a ordem para deixá-lo veio em julho e a ordem de desocupação ocorreu na véspera da descoberta dos corpos.
O que aconteceu dentro do apartamento
Moradores do prédio disseram à Polícia Militar que não viam a família desde o fim de semana. O cachorro que estava dentro do apartamento também passou a latir e chorar de forma insistente. Sem conseguir contato com os moradores, o condomínio acionou um chaveiro para abrir a porta.
Os corpos foram encontrados em cômodos diferentes. Claudia e Rafael estavam em um dos quartos. Marcos estava em outro ambiente do apartamento. Os três apresentavam ferimentos provocados por arma branca. Uma faca e um punhal foram recolhidos pela perícia. Uma das armas estava próxima ao corpo de Marcos. O apartamento estava trancado e, segundo as informações iniciais, não havia sinais aparentes de arrombamento.
O que a polícia investiga
A Polícia Civil trabalha inicialmente com a hipótese de que Marcos tenha matado a mulher e o filho e depois tirado a própria vida. A dinâmica, porém, ainda precisa ser confirmada pela investigação.
A situação financeira do engenheiro é um dos pontos analisados. A perda do apartamento, a dívida decorrente da condenação judicial e a ordem para desocupação fazem parte da sequência de acontecimentos que antecedeu a morte da família. Ainda não está esclarecido, no entanto, se esses fatos tiveram relação direta com o que aconteceu dentro do imóvel.
Inicialmente a investigação está sob a responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa, a DHPP. O delegado Ivo Viana preside o caso.



