A sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial em empreendimentos imobiliários e passou a integrar os critérios de avaliação de investidores e compradores. Com o aumento da preocupação com eventos climáticos extremos e os impactos ambientais, soluções que reduzem o consumo de água e energia também ganham peso na valorização dos imóveis.
Segundo o relatório Knight Frank ESG Property Investor Survey 2025, 63% dos investidores apontam o desempenho financeiro como o principal motivador das estratégias ESG. O levantamento também mostra que 77% dos grandes investidores institucionais incorporam critérios ambientais, sociais e de governança às análises de retorno.
Em Curitiba, o OÁS Barigui, empreendimento da GT Building no bairro Champagnat, é apresentado pela incorporadora como um exemplo dessa aplicação. O projeto foi desenvolvido para buscar as certificações GBC Condomínio, Fitwel e LEED e reúne soluções de gestão hídrica, eficiência energética e mobilidade.
De acordo com um estudo de indicadores técnicos elaborado pela consultoria Forte Desenvolvimento Sustentável, o empreendimento pode reduzir em 22,8% o consumo de água potável e em 30,9% a demanda por energia elétrica em comparação com os padrões considerados no estudo.
Entre as soluções estão metais de baixa vazão, uma estação para tratamento e reúso de águas cinzas e elevadores regenerativos, que permitem recuperar parte da energia utilizada durante a operação.
Segundo o estudo, a economia de água pode chegar a 6,8 milhões de litros por ano, volume equivalente a cerca de 57,4 mil banhos de dez minutos. A redução estimada na demanda por energia representa uma economia superior a R$ 450 mil por ano para o empreendimento.
Consumidores valorizam imóveis sustentáveis
A disposição dos compradores em considerar atributos ambientais também aparece em pesquisas do setor imobiliário. Dados da CBRE citados pela incorporadora apontam que cerca de 45% dos entrevistados estão dispostos a pagar mais por imóveis com certificações verdes. Outros 50% valorizam recursos inteligentes capazes de melhorar o desempenho ambiental das edificações.
Para Maurício Fassina, diretor de operações da GT Building, a eficiência pode ser incorporada à experiência de moradia sem deixar de lado outros atributos associados aos imóveis de alto padrão.

“O empreendimento adota o reúso das chamadas águas cinzas, ou seja, a água usada em chuveiros e lavatórios é tratada e direcionada para as bacias sanitárias, reduzindo o uso de água potável. Práticas sustentáveis reduzem o impacto ambiental e representam uma nova forma de pensar o morar. Hoje, o luxo está diretamente ligado à qualidade de vida, ao bem-estar e à eficiência dos espaços”, afirma.
O projeto também prevê compensação das emissões de carbono da obra, infraestrutura para veículos elétricos, gestão de resíduos e integração com áreas verdes.
“A incorporadora promove a compensação das emissões de carbono durante a obra e adota diretrizes rigorosas para o uso racional de materiais. No OÁS, mostramos que arquitetura imponente, inovação e sustentabilidade caminham juntas”, afirma Fassina.
ESG também influencia investidores
Além da decisão do consumidor, os critérios ESG passaram a fazer parte das análises de fundos de investimento e instituições financeiras. No mercado imobiliário, aspectos relacionados à eficiência operacional, consumo de recursos e impactos ambientais podem influenciar a avaliação de ativos no longo prazo.
Segundo Fassina, as soluções adotadas no empreendimento também podem contribuir para a redução das despesas condominiais.
“Todas essas iniciativas de sustentabilidade vão impactar, mais para frente, na redução da taxa de condomínio. O mercado passa por uma transformação em que o valor de um imóvel reside na sua capacidade de oferecer bem-estar, eficiência e responsabilidade ambiental. Mais do que uma tendência, esse compromisso representa uma visão de futuro”, afirma.



