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Enchente no Nepal já tem mais de 360 mortos; buscas continuam

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Uma enchente repentina atingiu o Nepal e o Tibete nesta semana, deixando um rastro de destruição na região do Himalaia. Segundo autoridades locais, mais de 360 corpos já foram recuperados e cerca de 1.400 pessoas seguem desaparecidas entre os dois países.

A tragédia começou na quarta-feira (26), quando um grande volume de água atingiu o distrito de Rasuwa, no norte do país, na fronteira com o Tibete. A enxurrada foi provocada por um colapso repentino ao longo do Rio Bhote Koshi, por volta das 9h no horário local.

O que pode ter causado a enchente

Segundo especialistas, o mais provável é que uma avalanche ligada ao derretimento de uma geleira tenha desencadeado o desastre — um fenômeno que vem se tornando mais comum com o aquecimento da região do Himalaia. Relatos iniciais de autoridades nepalesas também apontam a possibilidade de um terremoto ter provocado o colapso de parte de uma geleira, dando início à enchente.

A força da água foi tanta que chegou a partir pontes ao meio e arrastar casas inteiras.

Muitos turistas entre os desaparecidos

Boa parte das pessoas desaparecidas são visitantes estrangeiros que estavam na região para trekking ou em peregrinação a um local sagrado hindu no Tibete. Ao todo, cerca de 800 estrangeiros estão entre os desaparecidos nos dois países.

De acordo com o Conselho de Turismo do Nepal, mais de 500 estrangeiros seguem desaparecidos só no país, e boa parte deles é da Índia — muitos possivelmente em peregrinação ao Monte Kailash, no Tibete. Também há relatos de turistas dos Estados Unidos entre os desaparecidos.

Resgate ainda em andamento

As buscas continuam nesta quinta-feira (27), com equipes cavando entre a lama em busca de sobreviventes e corpos. Equipes do Exército nepalês resgataram pessoas presas em instalações ligadas a uma usina hidrelétrica na região, e alguns corpos foram encontrados a centenas de quilômetros de distância do local do desastre.

A Unicef informou que pelo menos 17 mil crianças foram afetadas pelas enchentes, com casas, escolas e postos de saúde destruídos. Segundo a organização, os sobreviventes agora enfrentam risco maior de doenças e desnutrição.

Repercussão internacional

Autoridades chinesas foram ao local do desastre no lado do Tibete para acompanhar os trabalhos de resgate, enquanto o primeiro-ministro do Nepal foi pessoalmente até uma das áreas mais atingidas para avaliar a situação. A Índia também enviou ajuda e evacuou moradores de regiões próximas à fronteira, com medo de a enchente afetar outros rios da bacia.