O acesso à internet começa cada vez mais cedo entre crianças e adolescentes no Brasil. Dados da TIC Kids Online Brasil 2024/2025 indicam que 93% dos brasileiros de 9 a 17 anos usam a internet, o equivalente a cerca de 25 milhões de pessoas. Entre eles, 23% tiveram o primeiro contato antes dos seis anos e 83% têm perfil em redes sociais. WhatsApp, Instagram, YouTube e TikTok estão entre as plataformas mais utilizadas. O WhatsApp aparece com 53% dos usuários, seguido por Instagram, com 45%, YouTube, com 43%, e TikTok, com 37%.
Para a psicopedagoga Esther Cristina Pereira, da Escola Atuação, o aumento do tempo diante das telas pode interferir na forma como crianças ocupam o tempo livre e se relacionam com outras pessoas. “Quando a criança tem acesso constante a estímulos prontos, pode ter menos oportunidades para criar, imaginar e decidir como ocupar o próprio tempo. No brincar livre, ela precisa construir possibilidades, negociar regras, interagir com outras crianças e lidar com situações que não estão previamente determinadas”, explica.
Segundo a especialista, essas experiências contribuem para o desenvolvimento da autonomia e das habilidades sociais. Ela também chama atenção para outro elemento que pode perder espaço na rotina infantil: o tédio. “Momentos de tédio também podem ter um papel importante no desenvolvimento infantil. Quando não existe uma atividade pronta, ela precisa imaginar, experimentar e buscar possibilidades. É nesse processo que a autonomia e a criatividade são estimuladas”, afirma.
Quanto tempo crianças e adolescentes devem ficar nas telas
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas. Entre dois e cinco anos, a orientação é limitar o uso a até uma hora por dia, preferencialmente com a participação de um adulto.
Para crianças de seis a dez anos, a recomendação apresentada no texto é de até duas horas por dia. Entre 11 e 17 anos, de até três horas diárias. A especialista ressalta, porém, que a avaliação não deve considerar apenas o número de horas diante das telas. Também é necessário observar o que a criança deixa de fazer por causa desse uso.
Quando o celular, o tablet ou a televisão substituem brincadeiras, atividade física, conversa com outras crianças e momentos de criação, a rotina pode ficar mais limitada. “O objetivo não é tratar a tecnologia como algo negativo, mas garantir que ela não seja a única opção de entretenimento. As crianças precisam também de oportunidades para brincar, criar, conversar e interagir presencialmente”, afirma Esther.
A orientação é buscar equilíbrio entre o uso da tecnologia e outras atividades. Brincadeiras, movimento, criatividade e convivência presencial continuam fazendo parte da rotina necessária para o desenvolvimento infantil.



