A cesta básica em Curitiba custou R$ 807,93 em julho. O valor coloca a capital paranaense como a sétima mais cara do Brasil entre as 27 capitais pesquisadas pelo Dieese em parceria com a Conab. Mesmo com a queda de 4,13% no preço da cesta em relação a junho, o custo dos alimentos ainda pesa bastante no bolso. Nos primeiros sete meses de 2026, a alta acumulada chegou a 9,49%. Em um ano, o aumento foi de 4,80%.
Para quem recebe o salário mínimo de R$ 1.621, a conta fica ainda mais apertada. Só a cesta básica consome 53,88% do salário mínimo líquido, já descontada a contribuição de 7,5% para a Previdência. Para comprar os alimentos, o trabalhador precisaria dedicar 109 horas e 39 minutos de trabalho.
Curitiba aparece atrás apenas de São Paulo, Cuiabá, Florianópolis, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Campo Grande entre as capitais com as cestas mais caras. Em São Paulo, que lidera o ranking, a cesta chegou a R$ 915,01. Na outra ponta estão Aracaju, com R$ 594,07, e Maceió, com R$ 618,60.
O que mais subiu
Mesmo com a queda registrada em julho, alguns alimentos continuam pesando na conta do curitibano. Nos últimos 12 meses, a batata foi o produto que mais subiu, com alta de 69,74%. Depois aparecem o feijão preto, que aumentou 21,36%, e a banana, com alta de 16,44%. A carne bovina de primeira também ficou mais cara e acumulou aumento de 8,41% no período.
Na comparação entre junho e julho, a banana subiu 9,91% e o feijão preto, 7,42%. Segundo o Dieese, a menor oferta de feijão provocada pela quebra da safra na região Sul ajudou a puxar o preço para cima. Mas nem tudo aumentou. A queda de 4,13% no preço geral da cesta em Curitiba foi puxada principalmente pelo tomate, que ficou 33,13% mais barato, e pela batata, com redução de 19,37%. Os dois produtos tiveram aumento da produção com as safras de inverno.
Ainda pesa no salário
O preço da cesta caiu em julho, mas continua consumindo uma parcela grande da renda de quem ganha o salário mínimo. Em julho do ano passado, eram necessárias 111 horas e 44 minutos de trabalho para comprar os mesmos alimentos. Agora são 109 horas e 39 minutos.
A diferença mostra que houve uma redução no tempo necessário para comprar a cesta, mas o gasto ainda representa mais da metade do salário líquido.E quando a conta não considera apenas comida, mas também despesas como moradia, saúde e transporte, a distância entre o salário e o custo de vida fica ainda maior.
Segundo o Dieese, para uma família de quatro pessoas conseguir pagar essas despesas básicas, o salário mínimo deveria ter sido de R$ 7.687,01 em julho. É quase 4,74 vezes o salário mínimo atual, de R$ 1.621.



