A morte de um bebê de quatro meses, em Ponta Grossa, está sendo investigada pela Polícia Civil como homicídio. A criança estava na casa dos padrinhos, no bairro Uvaranas, durante a madrugada de sábado (22) para domingo (23), quando os pais saíram para uma balada. O casal que havia ficado responsável pelo bebê e pelas duas irmãs mais velhas, de 5 e 3 anos, chegou a ser preso, mas foi solto em decisão da justiça. A investigação agora tenta descobrir como a criança foi sufocada e o que aconteceu dentro da casa naquela madrugada.
A noite em que os pais saíram
Os pais haviam passado parte da noite na casa dos próprios padrinhos. Durante a madrugada, decidiram ir a uma balada em Ponta Grossa e pediram que Brayan de Paula Mehret e Andrielly Kauana de Oliveira ficassem com as três crianças. Segundo o depoimento dos pais, o casal foi pago para cuidar dos filhos durante a noite. A responsabilidade, portanto, ficou com os padrinhos enquanto os pais estavam fora.
O retorno para casa
Os pais voltaram pela manhã e encontraram uma situação completamente diferente da que esperavam. Os padrinhos estavam embriagados e o bebê estava morto dentro do berço. O Samu e a Guarda Civil Municipal foram chamados. As equipes chegaram à residência, mas não conseguiram reanimar a criança e confirmaram a morte.
O que os padrinhos disseram
Em um primeiro momento, os padrinhos disseram à polícia que haviam dormido durante toda a madrugada. Segundo a versão apresentada pelo casal, eles só perceberam que o bebê estava morto quando acordaram pela manhã. A versão passou a ser analisada pelos investigadores depois dos primeiros resultados da perícia.
A perícia aponta asfixia
O exame preliminar do Instituto Médico Legal apontou que o bebê morreu por asfixia físico-química. A rigidez do corpo também indicou que a morte havia acontecido horas antes da chegada dos pais. Com isso, a polícia passou a investigar o que aconteceu durante a madrugada e descartou, neste momento, a hipótese de uma morte natural durante o sono.
A perícia também encontrou um líquido dentro do berço onde o bebê estava. O material foi recolhido e será analisado para identificar o que era e se existe alguma relação com a morte.
A principal hipótese investigada
Com os elementos reunidos até agora, a Polícia Civil passou a trabalhar com a possibilidade de que o bebê tenha sido sufocado durante a madrugada. Uma das hipóteses é que a criança tenha chorado e que um dos padrinhos, incomodado com o choro e sob efeito de álcool, tenha colocado um pano ou cobertor sobre o rosto do bebê.
Essa é uma linha de investigação e ainda precisa ser comprovada. A polícia ainda não conseguiu afirmar quem provocou a asfixia ou exatamente como ela aconteceu.

O álcool e a responsabilidade pelos filhos
Segundo o delegado Lucas Faria, os padrinhos ficaram bêbados durante a madrugada, mesmo tendo assumido a responsabilidade de cuidar de três crianças. Para a investigação, esse comportamento é importante para entender o que aconteceu naquela noite. Os pais haviam deixado os filhos sob os cuidados do casal justamente porque os dois tinham assumido essa responsabilidade.
O que aconteceu com os pais
Os pais foram ouvidos pela Polícia Civil e contaram que estavam em uma confraternização na casa dos próprios padrinhos antes de decidirem sair para a balada. Depois de prestarem os esclarecimentos, os dois foram liberados. Os celulares dos envolvidos foram apreendidos e devem ser analisados pelos investigadores. Segundo a polícia, naquele momento, a responsabilidade pelos cuidados das crianças havia sido transferida aos padrinhos.
A irmã de cinco anos será ouvida
A investigação ainda precisa entender o que aconteceu dentro da casa durante as horas em que os pais estavam fora. Para isso, a Polícia Civil pretende realizar a escuta formal da irmã do bebê, de cinco anos. O depoimento pode ajudar a reconstruir a madrugada, mas será feito seguindo os procedimentos específicos para ouvir uma criança.
Padrinhos chegaram a ser presos
Brayan e Andrielly chegaram a ser presos em flagrante depois dos primeiros elementos reunidos pela polícia. No entanto a justiça concedeu a eles a liberdade provisória atendendo a um pedido da defesa. Segundo a defesa, os fatos demonstram a inexistência de qualquer prática de homicídio doloso praticado pelos padrinhos. A defesa reforça ainda que exames periciais indicam que não há inídicios de lesões ou qualquer elemento que leve a um crime de homicídio.
O que falta esclarecer
A investigação ainda não terminou. A Polícia Civil aguarda os laudos definitivos do IML, o resultado da análise do líquido encontrado no berço e novos depoimentos. O principal objetivo agora é responder às perguntas que ainda estão sem resposta: quem ou o que provocou a asfixia, como o bebê foi sufocado e o que aconteceu dentro daquela casa durante a madrugada.
A polícia também precisa confrontar as versões apresentadas pelos envolvidos com os resultados da perícia para definir exatamente a responsabilidade de cada um no caso.



